Saia da zona de conforto.

Quem já viu algum programa chefiado por Gordon Ramsay, vai entender porque o coloco como exemplo para ilustrar esse post.

Ramsay apresenta programas relacionados ao mundo da gastronomia, e é conhecido por ser extremamente exigente e rigoroso.

Um de seus programas é “salvar” restaurantes que não estão rendendo o esperado. Muitos podem achá-lo um grosso – e ele é grosso mesmo. Mas se fosse de outra forma, acho que não conseguiria fazer seu trabalho. Os donos e funcionários no começo ficam ofendidos, mas depois acabam por agradecê-lo, pois o restaurante sempre melhora.

Com isso, acho que o que fica evidente é que poupar as pessoas da realidade não as ajudam a crescer. Sentir pena pode ser carimbar na testa do outro a palavra “incapaz”.  E se a pena sentida for por você mesmo, aí a coisa fica muito complicada.

Com isso também não quero dizer que devemos nos transformar em pessoas frias. Nenhum extremo funciona bem. É por amor que devemos tirar as pessoas da zona de conforto e ajudá-las a enxergar que elas podem sim.

Escrevo esse post para tentar desmistificar a ideia que pessoa boa é a pessoa boazinha. Isso nem sempre é verdade. Temos que nos libertar da culpa ao dizer um “não”. Isso é tão importante para o desenvolvimento daqueles que amamos quanto o “sim”.

É fácil ouvir críticas? Não, é terrível. No entanto, as coisas que nos tiram da zona de conforto são aquelas que nos impulsionam para o crescimento. Desde que sejam críticas verdadeiras, é claro.

Se você sair dessa zona espontaneamente, vai poder escutar e apreciar as críticas, ao invés de entendê-las como humilhação.

Os Complexos

O termo complexo é muito utilizado em nossa linguagem do dia a dia. Às vezes ouvimos por aí que alguém age de determinada forma porque tem complexo de inferioridade, ou de salvador, e assim por diante.

Dentro da psicologia analítica, os complexos são entendidos como aglomerados de conteúdos psíquicos, relativamente independentes da personalidade do eu, mas ainda assim capazes de influenciá-lo. É como se fossem uma espécie de personalidade distinta da nossa, dentro de nossa própria psique.

Numa condição esquizofrênica, eles podem se emancipar em relação ao controle consciente e adquirir vida própria. Nessa situação, é como se não houvesse mais um “eu” no comando. Às vezes a gente se depara com alguém que diz ser Jesus Cristo. Em Curitiba tinha um bem conhecido. Não posso afirmar que seja esse o caso, mas me parece que sim.

Em outros casos, é possível ver a manifestação de um complexo quando o ego perde sua soberania na consciência por alguns instantes. Um ataque de ira seria um ótimo exemplo. No senso comum, dizemos que a pessoa “sai de si”. E é por aí mesmo. O ego sai e o complexo toma seu lugar, a ponto de muitas vezes nos arrependermos logo que retomamos a consciência.

Mas, mesmo quando tudo está bem e nada nos tirou do eixo, é possível perceber o poder de influência de um complexo. Todos nós temos algumas situações na vida em que nosso controle através da força de vontade é mínimo. Que o diga todos aqueles que possuem algum tipo de vício. E mesmo que não chegue a esse ponto, quantas e quantas vezes tentamos lutar contra uma força (ou um desejo) imperativo, e perdemos? Você pode resistir, mas somente até certo ponto. Pois alguns complexos podem ser mais poderosos do que a vontade do ego.

Existe basicamente duas formas de obter algum controle sobre essas forças autônomas. Uma é através do fortalecimento egóico, e a outra através de um enfraquecimento da energia psíquica envolvida com cada complexo.  A medida que essas personificações vão se tornando consciente, já não nos afetam tanto. Por isso o trabalho de autoconhecimento é tão importante. Assim não ficamos à mercê das forças. Pelo contrário, nos fortalecemos através do trabalho com elas.

Você tem medo de quê?

O medo, a ansiedade, a insegurança e o pavor são sensações tão desagradáveis quanto universais.

São parecidos, talvez se diferenciem pela intensidade da ansiedade experimentada. Então nesse post, quando eu falar de um, saibam que também estou falando do outro.

O medo, quando irracional, é antagonista à vida. E quando não, preserva a mesma. Então, para que essa função aja de acordo, eu preciso ser capaz de interpretar bem as situações de ameça real – um leão faminto por exemplo – e o que são as situações que temo por me sentir vulnerável – uma mudança de emprego por exemplo.

Disso, acho que podemos tirar algumas coisas:

- O medo é importante, e tem sua função. Certamente ele nos protege de certas ousadias que seriam fatais ou extremamente danosas.

- Às vezes, nosso medo é irracional. Quando isso acontece, ele nos impede de viver. Pode vir em uma forma de paralisia, tendência ao retrocesso, resistência ao desconhecido, e assim por diante. É aquilo que nos retém quando a vida nos pede alguma atitude. Nos escondemos em casa, não atendemos o telefone, continuamos num mesmo emprego que não mais suportamos, no mesmo tédio, com os mesmos desejos não realizados, e com a mesma cara de impotência.

O medo é aquilo que não nos deixa crescer. O que nos condena à mediocridade.

A medida que entendemos que o medo é universal, nosso desafio é suportá-lo e ousar agir. Pois se fugimos, o faremos pela vida inteira. Somente a audácia pode libertar-nos do medo.

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Quando menos é mais

Informação. Nunca foi tanta, e nunca esteve tão disponível. Soma-se isso à realidade de uma sociedade de consumo voraz: o resultado só pode ser um devoramento compulsivo de tudo o que se encontra ao nosso redor.

“Não há tempo à perder!” Dizem por aí…  e assim vamos engolindo (sem mastigar nem digerir) o que nos acontece ou o que nos interessa. Mas assim como não é a comida que nos nutre – e sim a digestão que é feita dela – a informação devorada não nos traz conhecimento, muito menos sabedoria.

Temos que descer desse trem desatinado se quisermos fazer algum progresso em termos de sabedoria. É preciso obedecer ao tempo dos processos ruminativos. Caso contrário me transformo não no que sou, e sim no que o mundo me oferece. E aí o que tenho eu para oferecer ao mundo???

Nós só nos apropriamos das coisas quando temos tempo para refletir e processar. Tem que acontecer uma assimilação de tudo o que é visto e de tudo o que é vivido, nem que para isso seja preciso ver ou viver “menos”.

Coloco esse menos entre aspas porque realmente acredito que quando existe intenção e consciência, nós vivemos é MAIS.

Mais e menos aqui não diz respeito ao tempo, nem à repetição, e sim à qualidade. Não deixem que as coisas passem sem que nada seja acrescentado…

Um livro bem lido ou um amor bem vivido, valem por mil.

A força do ego.

 

Ontem estava bem tranquila, na fila de um supermercado aqui de Curitiba, quando começa (não sei dizer como) um bafafá ali no caixa.

O homem que passava suas compras começou a ofender a caixa do mercado. Dizendo que ela era mal-educada. E ele dizia isso num tom bem mal-educado também. Mas na cabeça dele a educação deve ser uma via de mão única.

Fiquei observando a reação da moça. Ela segurou bem. Ficou em um silêncio absoluto. Mas o senhor continuou provocando, até que aos 45 minutos do segundo tempo ela acabou perdendo a paciência e revidou. Então ele foi embora. Acho que precisava descarregar, só isso.  Conseguiu o que queria.

Com isso, fiquei pensando o quanto nosso autocontrole é posto a prova diariamente. A carga não vem só de fora, vem de dentro também! E toda essa carga pode ser transformada em energia disponível para o ego produzir. A força do ego vem de uma fonte inconsciente, e se ele for resistente o suficiente para aguentar uma alta carga de energia psíquica, e fazer algo produtivo com ela, esse ego está feito!

Um ego forte não é aquele que sai dando chilique nos mercados da cidade gratuitamente. Esse aí não aguenta muita coisa…

Mas tampouco deve ser aquele que se cala, que não sente nada, e vive alheio as suas próprias emoções.

O ego forte, que se “apropria” da energia psíquica, suporta bem as ondas internas e as bombas externas, e tem coragem e força suficiente para se colocar na forma e no local oportuno.

Não vou me cansar de frisar a importância dessas três palavras em negrito: forma, local, e oportuno.  É um bom trio de palavras.

Um ego forte é guerreiro. Mas ele luta a boa luta. Luta por seus ideais. Isso é muito diferente de gastar sua energia psíquica em brigas sem fundamento e objetivo. Isso tem mais a ver com colocar em prática seus ideais. Se para o homem do mercado educação estivesse em um alto conceito moral, e se seu ego tivesse se apropriado disso, ele não a teria perdido.

O ser humano precisa reconhecer sua força, e empregá-la conscientemente naquilo que tem valor. Essa força, essa energia psíquica, se não for bem aproveitada, vira bafafá inútil. Crimes. Compulsões. Depressão. Destrutividade. E assim por diante.

E se bem aproveitada, é a chama que nos move e nos faz produzir maravilhas, das quais só o homem é capaz.