Abuso sexual

Sep 28, 2011 by

Antes de lerem o post, recomendo que vejam o vídeo. É uma reportagem que foi ao ar no Jornal Hoje do dia 28/09/11.

Se pudesse dizer algo para essa garota (e tantas outras que tomam a coragem de denunciar), gostaria de dizer “parabéns pela coragem, não deve ser nada fácil…”

Quando somos de alguma forma abusados ou violentados sexualmente  - ou até mesmo expostos contra a vontade à sexualidade alheia – isso nos deixa marcas. Ainda mais se quem faz isso é um pai, uma mãe, ou alguém muito próximo. Um alguém que deveria nos cuidar.

Isso rompe as bases emocionais do indivíduo. É como se o eixo que mantém a psique unificada ficasse seriamente danificado. A coisa vai muito além da violência no corpo. A alma é violentada. E o tamanho da sequela tem a ver com o grau de violência, frequência em que a pessoa é exposta, e também com sua maturidade psíquica na época do acontecido.

Devemos tomar muito cuidado com nossas crianças, pois sua estrutura ainda está em formação. O ato sexual ainda não é compreendido plenamente pela criança. É interpretado como algo terrível e constrangedor. Muitos pais acabam tendo relações sexuais na presença de seus filhos – às vezes até por questões financeiras muitas famílias vivem em um cômodo, ou dormem todos no mesmo quarto – ou então percebem que os filhos estão dormindo e praticam o ato sexual. Cuidado, seu filho pode acordar, e ele não tem estrutura para lidar com isso. Ele sobrevive, mas vai ficar marcado.

Isso em outras épocas da humanidade era algo perfeitamente normal. Inclusive os familiares iniciavam as crianças sexualmente. Mas acho que a sociedade deve evoluir não só tecnologicamente, mas também moralmente.

Temos que ter muito respeito com esses seres em construção. Ser sexualmente saudável envolve não expor ninguém forçosamente às suas intimidades sexuais.

A criança não é um adulto em miniatura, e também pode não ser tão ingênua como imaginamos.

Muitos dos crimes sexuais – especialmente os praticados contra crianças – ficam impunes, pois a vítima ainda é impotente. Ficam com vergonha de contar para os adultos, e por vezes são ameaçadas. Quando contam, com frequência o adulto não dá ouvidos. Acham que pode ser fantasia, ou são mães que não conseguem viver longe de seus parceiros….

Quando esses abusados crescem, raramente querem tocar no assunto. É algo que se esforçam para que fique no passado, pois traz muita dor.

Enfim, cada um tem seus motivos para denunciar ou não. Mas para aqueles(as) que quebram o silêncio, novamente quero expressar minha admiração pela coragem e pela responsabilidade em fazê-lo.

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Comentários

  1. Excelente post, Ana. Gostaria de lhe fazer um pedido. Será que você poderia explorar um pouco mais o assunto? Se possivel citar o comportamento de uma criança ou adulto que vivenciou esse trauma, e explicar o que podemos fazer para ajudá-la a superá-lo, ou mesmo nos instruir a forma como devemos lidar com pessoas que possuem essas marcas? Desde agradeço. Abraços.

  2. Ana Luisa Testa

    Oi Lilie!

    Ótima sugestão. A grosso modo, o que um abuso causa na psique de uma pessoa (especialmente se ainda for uma criança) é um forte dano ou até mesmo rompimento do eixo ego-self, provocando um estado de alienação, por vezes permanente. Se for feito por uma figura de confiança (que poderia receber a projeção do arquétipo do si-mesmo) como um pai, um avô, um professor, um padre, etc… o dano é ainda maior. É como se o ego passasse a encarar o si-mesmo como um agressor. E no caso, o ego seria a vítima. Não é necessário que a pessoa tenha consciência desse processo para sentir os efeitos dele. Tudo isso pode operar em uma escala muito inconsciente.

  3. Obrigada pela atenção, Ana.

  4. Margot

    Olá Ana, eu sei que esse post é de alguns meses atras, mas eu precisava dizer, passei por aqui algumas vezes e nunca tive coragem de postar nada… Fui uma dessas tantas crianças que foram abusadas sexualmente, por alguem mto proximo e que eu amava, todos os outros nao quiseram ver ou acreditar no que acontecia… simplesmente aconteceu e meu maior sonho é que ficasse no passado.. mais nao fica.
    Ainda depois de anos nao suporto tocar nesse assunto e ainda me martirizo em culpa… nao sei como sobreviver a tudo isso e ser finalmente livre. Gostaria, se possivel, que me dissesse ao menos como agir, de forma que eu resolva tudo isso…
    Obrigada pela atenção e desculpa o encomodo… Abraços.

  5. Olá Margot,

    Esse tipo de coisa não dá para simplesmente esquecer. Você precisa fazer a assimilação (ou digestão) do assunto.
    Talvez vc deveria procurar um terapeuta para que vcs possam cuidar finalmente desse assunto. Querer esquecer e não tocar no assunto não ajuda, pelo contrário. Para digeri-lo, você vai precisar mexer na ferida…

    Um abraço, espero que consiga fazer isso por vc,

    Ana

  6. Margot

    Olá Ana, obrigada pela sua atenção…
    Eu não sei se devo mais preciso fazer uma pergunta… as pessoas vitimas de abuso sexuais se tornarão no futuro possiveis abusadores?? Isso é regra?

    Me perdoe pelo encomodo e muito obrigada pela sua atenção.

    Margoot

  7. Olá Margot,

    Isso não é regra não. Pode acontecer, nós ouvimos esse tipo de situação por aí. Pode ser que em casos como esse, o abusador repete a história para elaborar a sua própria.
    Mas o contrário também acontece. Vemos pessoas que sofreram esse tipo de situação e abraçam a causa, cuidando ou evitando para que novas pessoas passem por isso que elas passaram.
    Existem formas e formas de lidar com a situação. Algumas extremamente positivas e construtivas. Cabe a pessoa escolher qual rumo ela quer tomar. Se você quiser se transformar num agente transformador dessa triste realidade, você pode. É uma questão de escolha.
    Um abraço.

  8. Margot

    Obrigada Ana, fico feliz pelo mundo ter pessoas assim como vc…
    Obrigada por se preocupar…
    Um abraço enorme

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