Será a consciência uma dádiva ou um sofrimento?

Oct 25, 2011 by

Olá leitores! Hoje venho com uma pergunta, que considero que tem duas respostas opostas e verdadeiramente iguais. Eu costumo ouvir por aí que a ignorância é uma benção… e apesar de me causar um arrepio, penso que sim, pode ser que seja mesmo.

O mito de Adão e Eva nos ajuda a entender um pouco essa situação. Ambos viviam no paraíso, fundidos em um estado e lugar de graça. Nada faltava. Até que a serpente seduziu Eva, e esta instigou Adão à desobedecer à Deus (e portanto separar-se dele),  e assim comeram o fruto proibido, da árvore da Ciência (para o conhecimento do Bem e do Mal).

A partir disso caíram do paraíso, e viveram uma vida de “pecado” (ciência do mal) e de sofrimento. Esse mito criacionista judaico-cristão nos mostra o aspecto negativo em adquirir consciência.

Já outro mito egípcio  traz a mesma situação, de forma diferente. Isis convence um anjo à entregar-lhe o segredo do mistério divino, e isso é experienciado como uma grande dádiva.

Esses mitos de aquisição de conhecimento servem como alegorias representativas do desenvolvimento da consciência humana. Nos primórdios da vida, somos completamente inconscientes, e sequer sabemos distinguir as coisas. Não existe eu, e não existe tu. A medida que percebemos que não somos fundidos com o ambiente (mecanismo de prazer-desprazer), nosso ego vai se formando… e começa a surgir o “eu”. O “eu” só aparece com a separação.

Quem já experimentou o rompimento de um relacionamento amoroso muito fundido, sabe bem o quanto dói essa separação. Dependendo do grau de fusão, quando o outro vai embora, parece que o “eu” foi embora junto. Fica apenas um grande vazio. E aí existe todo um trabalho para conscientizar-se que o “eu” não estava lá. Está com a pessoa.

Quem já conviveu com bebês maiores, e crianças pequenas, também pode observar isso com facilidade. É um sofrimento quando a mãe se distancia.

Posto isso, não tenho dúvidas que a criação de consciência é sofrida. Se todos nós permanecêssemos inconscientes, não haveria nada disso. Eu não acredito que outros animais passem por isso (a não ser os domesticados).

Por outro lado, existe algo de precioso que pode ser conquistado com essa expansão da consciência. Nós podemos sair do caos que nossos instintos mais primitivos nos colocam. Desenvolvemos técnicas e conhecimentos que nos ajudam a poupar a vida. Descobrimos o sentido das coisas. E contribuir com o coletivo.

Eu não preciso de consciência para sobreviver. Mas para viver – no sentido mais amplo da palavra – acho que sim.

Paga-se um preço, abre-se uma ferida, apenas para curá-la depois e poder “voltar ao paraíso” com consciência de si e da dádiva que recebeu.

Se você não saiu do paraíso, não tem consciência, nem gratidão por estar ali… porque ainda não o percebeu. Quando falo de paraíso aqui, é aquele estado de paz, de aceitação, de gratidão que pode sim ser alcançado por todos nós.

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