A integração psíquica – resposta ao comentário

Sep 19, 2009 by

jonas

Estava acessando meus e-mail hoje pela manhã e dei de cara com um comentário belíssimo que me fez pensar sobre um mundo de coisas.

Comecei a comentá-lo no próprio espaço destinado para isso, mas conforme a coisa toda foi se desenvolvendo, achei que seria bacana postá-lo aqui para que mais pessoas pudessem ler.

Vou colar o comentário aqui e em seguida minha resposta.

Du Cabrera

Posted September 18, 2009 at 8:53 pm

Jung é batutinha, né?!
Sempre gostei dessa coisa dele de expandir consciência, descobrir o eu e deixar viver… gosto também das conexões que ele estabelece com o divino ou etéreo. Lendo esse texto, parece um roteiro matemático à estabilidade psiquica. Parece simples como somar e subtrair. Se não fossem as resistencias, claro… sempre elas que de nada abstrato tem. O ego me soa com um gerente burro. Ótimo em mandar, péssimo em obedecer ou realizar mudanças. De onde será que esse medo (diria pavor, na verdade) de mudar vem? Pra que tantos mecanismos de defesa em detrimento de escasso mecanismo de mudança? As vezes penso que somos mais preparados para defender do que para evoluir. E isso, dentro de qualquer visão (seja ela científica ou não), demonstra a primariedade do ser humano que se julga tão superior aos outros animais, mas que no frigir do ovos, quase sempre apenas reage… como esses mesmos animais.

Du, acho que nós somos tudo isso, na grande parte do tempo esse animalzinho assustado que reage – mas temos momentos que eu me surpreendo com a beleza e a riqueza do ser humano.

Nossos mecanismos de defesa estão aí por um motivo, e que bom que temos eles, senão já não existiriamos mais. Faltariam trens, hospícios e pontes para nos receber!!!!

Mudar, abrir mão dessas defesas é a mesma coisa que sucumbir, morrer…
O ego precisa morrer muitas vezes na vida – quase como na história de Cristo – para ressuscitar como um homem um  mais divino.
A medida que esse ego morre uma parte de nosso self ressuscita… e a gente se sente um pouco mais inteiro…
Passando por uma outra analogia bíblica, temos a história de Jonas. Deus (self) pediu à Jonas (ego)  que fosse até uma cidade inimiga (nossa sombra) avisar que eles deveriam mudar e temerem à Deus, caso contrário uma onda de infortúnios se abateria sobre a cidade. Jonas no entanto foge de Deus e vai até uma cidade aliada, aonde entra em um barco. Em alto mar uma tempestade ameaça a vida de todos que estão na navegação (as consequências ruins que sofremos por continuar fugindo de nosso self) e Jonas vai se esconder no porão enquanto os tripulantes do barco rezam e fazem sacrifícios para conter a ira divina. Até que um deles encontra Jonas no porão e pede para ele rezar ao seu Deus. Jonas sabia que aquela tempestade era de sua responsabilidade e então atira-se no mar (se sacrifica) para salvar os outros. Um monstro marinho (em muitas traduções aparece como uma baleia) engole Jonas e ele fica por 3 dias no estômago do animal e assim como Jesus antes de sua morte sente que Deus o abandonou. No escuro e nas entranhas do animal ele finalmente entende os desígnos que Deus tem para ele e então o monstro vai até a praia e expele Jonas de suas entranhas. (Morte do ego e entrega ao self)

Essa primeira metade da história de Jonas nos fala sobre o medo da mudança (aceitar os desígnos do self), as armadilhas e infortúnios que sofremos por nossa teimosia e medo à essa entrega, sobre a necessidade de nos sacrificarmos e aceitarmos nossa morte temporária – ainda que no momento em que ela acontecesse parece durar uma eternidade – e ressuscitarmos mais próximos daquilo que somos.

Acho que a grande dificuldade é distinguir quais defesas podemos abrir mão – aquelas que um dia fizeram sentido em existir, mas hoje não mais – e aquelas que ainda precisamos para nos proteger.

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Comentários

  1. Du Cabrera

    Fiquei intrigado com “defesas” e li um artigo Freudiano sobre tal. Realmente conveci-me de que defesas são necessárias, e muito. Já tinha uma noção desse paradigma, porém ampliei minha visão sobre o assunto. Agora deixei de ser tão pragmático em prol da liberdade (talvez projeção minha de linhagem psicótica sobre o tema, querendo defender um algo recalcado). Entendo que há de se ter equilíbrio, e quando desequilibra (frequentemente pois somos processos fluidos) algo tem que ser somado ou suprimido para atingir o estado homeostático de novo. Esse algo a ser tirado pode ser justamente as defesas antigas e hoje desnecessárias que insistem em durar… arquivadas e atuantes. Novamente retomo a questão de post seu anterior dissertando sobre mudança, e aproveito para retificar minha opinião… eu havia comentado no post que mudar seria necessário e que seria necessário portanto mudar TUDO. Retifico dizendo que sim, mudar é necessário, mas agora, sobre essa nova perspectiva, nem tudo. É necessário ter a chave… e a chave talvez seja exatamente SABER O QUE mudar, e isso exclui o “tudo”. Na Gnose existem exercícios ditos “cadeia de morte” cujo objetivo é a “matança” do Ego (simbolizado nessa teoria por uma Hidra de várias cabeças). Dizem que essa ressurreição, essa aproximação com o Self, tornam o ser mais próximo de sua divindade… daquela fagulha divina que todos carregam. E, aliando teorias, quanto mais divino o ser se torna, quanto mais conectado a si mesmo, mais conectado fica a todos, com possibilidades infinitas de amar seus pares e entender que somos peças de algo que é TODO.

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