Por onde anda nossa capacidade de contemplar?

Oct 17, 2013 by

Sunset_2007-1

Olá leitores! O post de hoje foi inspirado por uma experiência que tive durante a semana passada. Estava em um lugar muito bonito, com uma vista privilegiada, esperando o sol se por na água. Outras pessoas estavam ali com o mesmo objetivo. Além do lugar e do momento favorável, assim que o sol se aproximava da linha da água, um poema e uma música começavam.

E eu estava ali, vivendo totalmente aquele momento. Enxergando o por do sol como uma metáfora para tantas coisas da vida… naquele momento esse movimento tão cotidiano da natureza era além de tudo um símbolo vivo para mim, até que……. fui interrompida por dois casais desesperadamente baruhentos, tirarando todas as fotos possíveis para publicar no facebook. Foto das meninas, foto dos meninos, dos casais, do sol e das mãos em forma de coração… Ali o sol fora rebaixado, virou só cenário, e o EU o artista principal.

E era tanto barulho que fui arrancada daquela vivência e não pude mais voltar. Tenho certeza que nem perceberam, e que também não fizeram por mal, e sim por inconsciência.

Me pareceu que para aquele grupo mais importante do que a experiência do momento, era o registro e a divulgação do mesmo. Postar nas redes sociais “EU estive lá!” E eu me pergunto: será que estavam mesmo?

Por onde nossas mentes vagam? Por que estamos ficando tão cegos e incapazes de mergulhar no presente? Ainda mais mergulhar em silêncio. Tudo precisa ser compartilhado? Tudo realmente precisa ser comunicado? Algumas experiências são tão individuais que jamais poderiam ser expressas de modo adequado.

E quanto nosso cotidiano colabora para esse exercício? Eu mesma raramente consigo ver um por do sol, meu dia a dia é cercado por prédios. Seria um pouco de inocência nossa acreditar que seremos arrebatados pelo presente se não pararmos para enxergá-lo. Sem parar para olhar jamais veremos através. Como ver o invisível no visível? O poema na prosa?

Se a velocidade de nossos dias não colabora, talvez seja nossa função proporcionar esses momentos para a gente e para os outros.

 

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Comentários

  1. Em tempos de redes sociais, a experiência de fato virou mero cenário para quem tem a necessidade de sempre exibir onde está (será que está mesmo?) ou o que está fazendo (está fazendo de fato?).

    É uma ferramenta que existe para causar inveja – e causa. Temos os que não vivem o momento, querendo mostrar o quanto suas vidas são “boas” e os que invejam estas vidas e depreciam sua própria através de uma comparação superficial.

    Falta consciência, sem dúvida.

    Me identifiquei bastante. Bjs!

  2. Vavá

    Ótimo texto! Acho que a ascensão das redes sociais demonstra que passamos do “ter para ser” pra “aparecer para ser”. A realização não está no curtir o momento, mas mostrar pros amigos e etc. É o exibicionismo, ou, palavra da moda, “ostentação” de momentos que acabam ficando na superficialidade…

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