Sexualidade revisada

Oct 30, 2013 by

sexualidade

Se alguém me perguntar o que é ser sexualmente saudável, acho que não saberia responder. Realmente não sei, então não ousarei a falar sobre o que ela é, mas penso que devemos revisar alguns mitos e receitas que tentam descrevê-la.

Dentro de nossa sociedade existem diversas ideias a respeito de como alguém deve viver a própria sexualidade, mas esse é um questionamento tão intimo que deve antes passar pela verdade do sujeito. É uma resposta de dentro para fora, e não de fora para dentro. Quanto mais desconectado de si esse sujeito estiver, mais facilmente comprará os ideais externos para si próprio, e pode por vezes enganar-se absurdamente sobre como deve situar-se em relação aos seus desejos eróticos.

Um dos ideais que vejo mais forte hoje é o que de uma pessoa não deve reprimir sua sexualidade. Posso citar como exemplo pais antenados que morrem de medo de reprimir a sexualidade de seus filhos dizendo um belo “não” na hora que os percebem se masturbando. Ou então a ideia de que é “recalcado” aquele que não gosta de expor o corpo. E a psicologia tem uma certa culpa nisso. Em certas abordagens psicológicas devemos desconfiar da saúde emocional daquele que abraça sem encostar o corpo inteiro no outro. Mas puxa, será mesmo que é necessário encostar seus genitais nos genitais de todos que você quer dar um abraço?

Mas como quase todos querem demonstrar sua boa saúde mental, é bem normal que atuem certas posturas consideradas ideais sem sequer parar para pensar se realmente o são. Lembro de ter vivido dentro de um curso de psicologia uma das cenas mais grotescas que alguém poderia ter desempenhado. E chamo de cena porque para mim é pura atuação! Eramos uma turma, de umas 25 pessoas, e tivemos tempo livre para conhecer alguns instrumentos utilizados dentro de certas técnicas de consultório, e então um dos participantes deitou-se no chão, em meio a todos, e ficou fazendo movimentos pélvicos e gemendo, até gozar. Outra critaura, em outro momento ficou de calcinha e camiseta fazendo uma vivência com mais umas 50 pessoas.

E essas coisas acontecem porque o sentido da palavra repressão não é bem compreendido. Aqui é importante fazer uma distinção: existe a repressão do conteúdo, aonde o sujeito sequer é capaz de perceber conscientemente seus próprios desejos. E de fato isso só o distancia de si próprio. E o ideal seria que cada um pudesse viver em harmonia com seu eros, o que de forma alguma significa atuá-lo no mundo externo. O desejo e a sexualidade não tem ética,  eles deconhecem o bem e o mal. Mas a consciência sim, e cabe a ela o papel de situar apropriadamente sua sexualidade no mundo, de acordo com os seus valores pessoais.

O contrário também acontece. Em certos círculos encontramos uma porção de regras restritivas sobre como colocar a sexualidade em prática. Trair é errado? Não sei, para encontrar essa resposta você deve analisar muito bem quais são seus principios mais caros, o que você tem de mais valioso, e então encontrará a sua resposta.

Cada um sente o que sente, e não pode ser responsabilizado por isto. Mas certamente pode ser por aquilo que faz com suas vontades. Até aqui vimos a importância de questionar aquilo que o coletivo prescreve como a sexualidade que merece ser vivida. E agora penso que um segundo ponto é fundamental: depois de encontrar suas respostas sobre o que e como deve viver sua sexualidade, deve também considerar se o(s) outro(s) envolvido(s) também esta(ão) de acordo. E respeitar esse espaço. Talvez o moço que gozou na sala de aula na frente de 25 pessoas não estivesse atuando, eu não tenho como saber, mas sei que pelo menos 1 pessoa naquele grupo não sentiu-se a vontade com a situação.

No campo das parafilias, a mesma coisa. Se tenho objetos de desejo que são pouco convencionais, e por isso dito anormais, ainda assim posso viver isso saudavelmente desde que meu parceiro concorde com isso.

Bom, enfim, acho que a mensagem era esta. Nem tudo que reluz é ouro. Que cada um possa abandonar as receitas e encontrar seu caminho!!!

 

 

 

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