Fobia: sintomas e tratamento psicológico

Apr 7, 2014 by

fobia

Fobia, do grego φοβος, que significa medo. A Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde (CID) define os transtornos fóbicos-ansiosos da seguinte maneira:

“Grupo de transtornos nos quais uma ansiedade é desencadeada exclusiva ou essencialmente por situações nitidamente determinadas que não apresentam atualmente nenhum perigo real. Estas situações são, por esse motivo, evitadas ou suportadas com temor. As preocupações do sujeito podem estar centradas sobre sintomas individuais tais como palpitações [...].”

Ou seja, quando a pessoa é exposta à uma situação específica (que seja objeto de sua fobia) ela apresentará uma intensa resposta ansiosa, devido ao medo irracional (chegando até mesmo ao pavor) daquilo. Como exemplo podemos citar as fobias de animais, também as que se relacionam à situações sociais, a agorafobia (que podem evoluir para o transtorno do pânico) , e assim por diante. A lista é enorme!

Muitas pessoas, especialmente aquelas que dependem do cuidado de outras, não procuram tratamento porque a situação vista de fora parece uma bobagem. Mas o que gostaria de enfatizar aqui é que para o fóbico o sofrimento pode ser enorme se ele for constatemente exposto. Aos olhos dos outros parece não ser grande coisa por se tratar de um medo irracional – e portanto também de uma ameaça fantasiosa. Mas se você fizer o simples exercício de se colocar no lugar desse fóbico, e pensar: “qual é a coisa que mais me apavoraria?” e então se imaginar sendo exposto à isso constantemente, então vai entender o tamanho do sofrimento.

Para se ter uma ideia, tive uma paciente que dizia preferir ver o demônio do que o objeto de sua fobia. A partir daí entendemos o quão intenso esse pavor pode ser. Medo irracional? Sim, mas nem por isso menos real para aquele que sente.

O que desencadeia uma fobia pode ser uma experiência traumática, ou até mesmo uma exposição continua a situações de tensões em determinado local, ou simplesmente a pessoa ter uma estrutura ansiosa e inconscientemente eleger (ou associar) um objeto para projetar um conteúdo temido.

O tratamento mais específico e que traz bons resultados se chama dessensibilização sistemática, que consiste em expor o fóbico sistematicamente (ou seja, de maneira progressiva e controlada) ao objeto temido. No caso de alguém que tenha fobia relativa a um animal começa-se com desenhos, réplicas de brinquedo, e o paciente vai se aproximando dessas figuras, encosta, pega na mão, tudo muito progressivamente, para que ele seja capaz de criar outra relação com esse objeto. Toda resposta de ansiedade tem um pico máximo, que vai se reduzindo naturalmente, e essa é a chave da técnica. Suportar a ansiedade na presença do objeto sem fazer nada para que ela diminua.

Em uma exposição não sistemática assim que o fóbico se depara com o objeto ele tem a resposta ansiosa, e faz algo para aliviar os sintomas, seja sair da situação ou ambiente (fugir), ou destriuir o objeto, matando o animal por exemplo. Então o que se constrói são uma série de experiências de sentir apenas pavor perante o objeto, o que acaba condicionando ainda mais essa resposta em seu organismo.

O problema da técnica é que a tendência do fóbico é evitar a exposição. Ele não quer entrar em contato com o objeto, sistematicamente ou não é aversivo.

Na clínica junguiana nos beneficiamos muito da Imaginação Ativa, que é uma técnica de diálogo com o inconsciente que quando feito corretamente resulta na transformação desses conteúdos e afetos que se manifestavam no sintoma. Lembro de um caso que atendi  em 2010, de um adolescente que desenvolveu um forte medo do banheiro da casa em que morava. Existia um desenho na madeira da porta, que para ele era como se fosse um rosto diabólico. Então o menino projetava algo no objeto, assim como todo fóbico faz, por isso as respostas são tão desproporcionais. No mundo da consciência aquilo é só uma porta para qualquer um, inclusive pro menino. Ele sabia que era só uma porta, porém para ele era como se fosse algo a mais. Esse termo “como se fosse” expressa maravilhosamente bem a realidade de nossa psique inconsciente. Começamos com a imaginação ativa, a projeção foi retirada e o medo da porta passou. A porta voltou a ser somente porta.

Sem tratamento psicológico os transtornos fóbico-ansiosos podem diminuir ao longo dos anos, pode ser também que a dinâmica permaneça a mesma, mas mude o objeto (ex: tinha medo de escuro, passa a ter medo de avião) pois nossa psique não é estagnada, está sempre viva e constante tranformação, mas o tratamento é um esforço do individuo para acelerar esses processos inconscientes, e assim ter uma vida menos sofrida e menos limitada. Cabe à cada um pesar o tamanho da dificuldade que o transtorno causa no dia a dia e optar pela melhor forma de condução disto.

Quaisquer dúvidas sobre o assunto fico a disposição no contato@terapiaemdia.com.br

Abraços!

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