(In)Completude

Jun 23, 2014 by

olhar

 “Eu sinto uma falta, só não sei de que…”

Existe uma busca humana, e essa busca apesar de ser percorrida por diversos caminhos, o objetivo é o mesmo: sentir-se completo.

Algo que preencha esse vazio inerente, ainda que por um instante, tende a nos capturar e pode até mesmo nos escravizar. Somos uma espécie que faz qualquer negócio para fugir do buraco angustiante.

Podemos buscar isso nas relações amorosas, na busca pelo poder, na espiritualidade, no consumo de bebidas, comidas, drogas, enfim… em qualquer lugar que nos tire desse local de insuficiência e limitações, ainda que por um instante, ainda que ilusoriamente.

Mas será então que o homem está condenado a essa roda vida de falta – busca – satisfação? Há quem diga que a falta é o que nos move, e eu preciso concordar com isso, mas será que não há escapatória para tal indigência psíquica?

Da forma como vejo os valores sociais predominantes, penso que há pouca esperança, e só para alguns, que conseguirem sair dessa roda viva. Como culturamente somos estimulados à pagar qualquer preço para o alivio do sofrimento, permanecemos nela, correndo atrás do próprio rabo, no ciclo de falta – consumo. Mas e se adotassemos um novo prisma para a questão? Qual o sentido de preencher essa falta com coisas que não preenchem de forma alguma? Nada mais libertador do que não ter que dar conta de todos seus anseios, até porque enquanto alguém dá conta está errando o alvo.

Quando o homem perceber que não precisa por em ato tudo aquilo que sente terá uma chance de sair da roda viva. Quando ele perceber-se insuficiente e não jogar-se desesperadamente nos braços de qualquer um ou qualquer coisa que o alivie da sensação de incompletude, ele terá uma chance, pois é somente retirando a libido investida nesses objetos que ela pode retornar ao inconsciente e iniciar a viagem para dentro, rumo à individuação.

Em Mysterium Coniunctionis Jung trata deste assunto, dessa conjunção misteriosa, deste casamento interno entre consciente e inconsciente, que é capaz de gerar frutos que garantem a liberdade expulsam a indigência psíquica (é indigente aquele que está em falta). Alguns poucos que fizeram tal percurso garantem: a completude é possível. Está tudo aí dentro, cuide para não perder-se fora…

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