O casamento como sacrifício

Apr 14, 2015 by

alianca

 

Ontem estava assistindo uma entrevista dada por Joseph Campbell, e achei bastante interessante o que ele disse sobre o casamento. Especialmente o ponto em que ele discorda que o sentido do casamento seja a procriação. Sempre achei essa ideia muito confusa, pois para mim é evidente que casamento é uma coisa e paternidade e maternidade outra. Conheço pais que por mais que estejam casados formalmente não possuem e não exercem a relação entre o casal, apenas dividem a tarefa de cuidar de seus filhos. Essa é uma situação bastante comum, e o que vemos quando o elo de um casal baseia-se majoritariamente nos filhos é que possivelmente não susterão o casamento assim que estes ganharem autonomia em relação à família. Também conheço casais que optaram por não ter filhos, e seus casamentos não são destituídos de sentido. Casamento é a relação de amor entre duas pessoas, um verdadeiro mistério. Uma espécie de trindade una, PESSOA – AMOR – PESSOA. Como o vejo assim nunca pude compreender os argumentos daqueles que são contrários ao casamento de pessoas do mesmo sexo.

Dois sujeitos sem o amor não caracteriza um casamento. As duas partes precisam estar em relação para formar uma unidade. Então é melhor que se casem com a pessoa certa, pois não é o papel, não é a cerimônia e nem a festa que faz o casamento. Volto a dizer, o que o faz é a relação. Campbell coloca nessa entrevista que o casamento é um ato de sacrifício, pois o ego terá que sacrificar-se em benefício não do outro, mas da relação. Se as pessoas parassem e refletissem sobre os votos de um casamento e ainda assim pudessem fazê-los, então saberiam que estão se casando com a pessoa certa. Enquanto as coisas vão bem é fácil fazer juras de amor eterno, mas os votos nos lembram que não nos casamos com as circunstâncias, e sim com a pessoa. Se caso com alguém por conta do que essa pessoa me oferece cairei em um estado infernal caso este não tenha mais nada a me oferecer. E sejamos sinceros: o tempo de uma vida é longo o suficiente para o mundo dar muitas voltas. Na saúde ou na doença, na alegria ou na tristeza, na riqueza ou na pobreza e assim por diante. Se o amor entre as duas pessoas estiver ali não cairão em estados infernais, pois o que se aceita é o outro, e não a riqueza que este outro pode trazer.

Outro ponto que acho crucial em um casamento é o sacrifício da libido sexual. Quando a engarrafamos sem atuá-la com terceiros damos a possibilidade de desenvolvê-la, gerando estados mais elevados de amor. E este é o sentido do celibato para os religiosos – um exercício que liberta as projeções presas na matéria! Não vou me estender muito nesse assunto neste post, mas quem quiser entender melhor esta ideia procure ler sobre os 4 níveis de amor – pornéia, eros, philia e ágape.

E você, anda disposto a fazer sacrifícios? Como nossa cultura lida com isso? Infelizmente não tão bem. Mas não temam, sacrifício é a doação de algo valioso, em troca de algo mais valioso ainda. É o raro ofício sagrado, num mundo dessacralizado…

Fico por aqui, um abraço a todos!!!

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