Autossabotagem

May 6, 2015 by

tironope

“A vida é sua, estrague-a como quiser”.  Antônio Abujamra

 

Olá queridos, resolvi falar hoje sobre a autossabotagem. Essa é uma questão que permeia a vida de todos nós, em maior ou menor grau, mas certamente de todos nós. E sabem por quê? Porque psicologicamente não somos senhores da própria casa!

Não resistir a certos impulsos, iludir-se a respeito de si mesmo e de outros, fazer escolhas ruins, perder resultados conseguidos por muito esforço, afastar-se ou não engajar-se com boas oportunidades de crescimento e desevolvimento…

Não sei se deveríamos chamar tudo isso de AUTOssabotagem. Me parece que para chamar de auto, essa sabotagem deveria partir do eu (ego), e nem sempre esse é o caso. O que vemos é que as escolhas que nos fazem cair em armadilhas são frequentemente inconscientes, como se algo em mim me dirigisse para aquilo. Esse algo atua em mim, mas se tiver autonomia, não creio que posso chamar de eu.

Para saber se este é seu caso, faça uma pergunta simples: minha vontade é suficiente para mudar tal impulso?

Trago como exemplo pessoas que se encontram numa situação de um transtorno obsessivo compulsivo… podem pensar em qualquer um… oniomania, alcoolismo, hiperalimentação, e assim por diante. Podem ter certeza que grande parte dessas pessoas desejam conscientemente parar, mas essa vontade mostra-se insuficiente para lidar com o impulso autônomo imperativo. E outra boa parte, apesar de dizer que não deseja livrar-se desses comportamentos, só dizem isso porque acreditam que não tem jeito. Então é melhor iludir-se do que admitir sua própria impotência. E tem aqueles que acreditam que seja possível, mas que não estão dispostos a passar pela angústia e desconforto interiores que dizer não ao impulso gera.

 Grosso modo, podemos dizer que a autossabotagem é um mecanismo de atua como:

1- Proteção, contra a sensação de impotência (ex: não estudo para o concurso, e se o resultado for ruim tenho desculpas para não sentir-me incapaz);

 2- Proteção, contra a sensação de angústia, conflito ou desprazer (ex: resistir a um impulso vicioso);

3- Um reforçador de minha auto imagem (o que não merece, o coitadinho, o incapaz… aquele que não tenta por acreditar que já sabe a resposta);

4- Mantenedor da dependência (ex: sujeito que enquanto depender não estará sozinho e não precisará assumir a responsabilidade de sua própria existência);

5- Acomodação (a pessoa fica estagnada, sem ser incomodada pelo novo e pelo desafiante - e então tudo parece seguro e estável).

A psicoterapia e os grupos de apoio costumam ser formas eficazes para dar os passos e o suporte que o indivíduo necessita para reverter esses mecanismos. E funciona melhor se esta pessoa estiver em um ponto de saturação, em que tenha percebido que continuar sabotando-se não é mais possível. Tendo consciência das consequências que enfrenta ou enfrentará se não mudar essa forma de funcionamento psicológico. O paciente precisa acima de tudo QUERER se libertar, QUERER evoluir.

Fico por aqui, abraços!

Ana Luisa Testa

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