Por favor, levem os fóbicos a sério!

Jun 25, 2015 by

psicose

Para começar este texto trarei aqui um trecho da definição dos transtornos fóbicos-ansiosos elaborada no CID 10 (Classificação Internacional de Doenças da OMS):

“Grupo de transtornos nos quais uma ansiedade é desencadeada exclusiva ou essencialmente por situações nitidamente determinadas que não apresentam atualmente nenhum perigo real. Estas situações são, por esse motivo, evitadas ou suportadas com temor.”

Ou seja, o fóbico tem um objeto específico que desencadeia respostas ansiosas (taquicadia, sudorese, tremedeira, choro, etc.) por experimentá-lo como algo ameaçador. E sim, ele sabe que esse medo é irracional, no entanto é sentido como absolutamente real.

Quem vê de fora, por perceber que se trata de um medo irracional, tende a não dar muita bola para o que o fóbico sente ou diz. Argumentos como “olha esse bichinho não morde” são completamente inúteis, pois a pessoa sabe disso racionalmente. Mas o que quero dizer é que o sofrimento é real, e isso deve ser respeitado.

palha Poderia contar para vocês muitos casos de desrespeito que alguém nessa condição tem que enfrentar. E vou contar sim alguns sim, para que entendam como a ignorância pode prejudicar ainda mais o quadro.

 Não são incomuns as brincadeiras feitas com a pessoa e com seu objeto de medo, porque acham engraçado assustar o outro. O que não vem é que acabam por traumatizar mais e mais. Então compram uma aranha de borracha e deixam ali nas roupas dele. Ou tratam de expor a pessoa ao objeto para que ela veja que não tem perigo. Trancam o que tem medo de cachorro num canil, ou então mesmo que não exponham o fóbico intencionalmente não fazem movimento algum para ajudá-lo numa situação de exposição acidental.

 Se ainda não te convenci, me responda uma coisa: você deixaria seu filho num quarto trancado com um ladrão mirando a arma na cabeça dele? Você até pode combinar com o “ladrão” para que ele não atire, mas que faça de conta para seu filho que vai atirar. E não conte nada desse trato para a criança. Como é que você acha que ela vai sair de lá? Gostando de ladrões? Falando desse jeito parece cruel, mas saiba que se você expõe ou já expôs um fóbico é justamente isso que você fez ele experimentar.

Se você tranca sua casa de noite porque sente medo que alguém entre e pegue suas coisas ou machuque a sua família, saiba que seu filhinho fóbico vai dormir todos os dias sentindo-se tão vulnerável quanto você se sentiria se não fechasse sua casa de madrugada. Isso tudo porque você não acha importante colocar uma telinha na janela para evitar que os bichinhos entrem. Importante é só por grade na janela, pois o seu medo tem que ser respeitado, e o dele é só bobagem.

fobia

Uma pessoa, tentando traduzir o que sentia a cada vez que se deparava com seu objeto de fobia, me disse: eu preferiria ver o diabo na minha frente do que isso. Dá para entender o tamanho do sofrimento? Você deixaria alguém com o diabo no quarto?

Então para que venha o respeito precisamos entender o outro através dos olhos dele e não do nosso. A ameaça pode não ser real, mas entendam que a experiência é. Absolutamente real e sofrida. As pessoas não precisam de mais traumas, isso só as quebram por dentro.

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