Vitimismo: esse papel não lhe cai bem.

Sep 8, 2015 by

vitima

O papel de vítima é um dos grande empecilhos na hora da promoção de mudanças. E vou dizer-lhes as razões, começando pela questão da responsabilidade. Quem é vítima não é autor da própria existência, portanto não enxerga as mazelas da vida como consequência de seus atos, e sim como peças pregadas pelo acaso. Essa cegueira o impede de mudar por não ter o controle do destino. Mas se a pessoa passar a se enxergar, poderá mudar os comportamentos que a levaram até determinada situação. Enquanto essa revisão de si próprio não acontece é bem provável que a pessoa não saia da situação ruim, ou que volte a encontrá-la futuramente.

Destino, acaso, astros, deuses, acidente, azar, mau olhado, inveja, preconceito, perseguição, e assim por diante, são os acusados sem direito de defesa.

Outro ponto é o orgulho, as vezes velado, que impede a pessoa de reconhecer seus próprios erros.

Sejamos francos: coisas boas e ruins acontecem na vida de todos nós. Dos bonzinhos, dos mauzinhos, dos que merecem e dos que não merecem também. Aceitar isso é um passo importante para não ficar nessa posição impotente. Aceitar o que não posso mudar, e controlar o que está sim em minhas mãos.

A vítima se vê impotente, passa mais tempo olhando para as dificuldades do que para os recursos que possuí para lidar com elas. Nossa confiança não pode residir na esperança de que nada ruim nos aconteça, e sim de que temos meios para resolver o problema. Então não é apenas uma questão de reconhecer erros, mas também de reconhecer em si as potencialidades para enfrentar a vida diretamente.

Então até aqui podemos observar que existem certos aspectos presentes nesse papel: falta de autoria, imaturidade (não vê sua responsabilidade e a acaba projetando em fatores externos), impotência (falta de confiança em seus recursos internos), orgulho (para não admitir os erros), autopiedade e um certo pessimismo. Existem ganhos secundários nesse papel, manipulando emocionalmente terceiros, e assim ser cuidado, ganhar atenção, encerrar os diálogos que não gostariam de ter e ficar na posição de “bonzinho”. Mas o maior de todos é não precisar se transformar. Não precisar se reinventar. E como diz Pondé: sem a noção de pecado (culpa) o humano fica infantilizado.

Vamos olhar um pouco o que diz um dos maiores mitos a respeito do papel do pecado em nosso amadurecimento – Adão e Eva. Esse mito representa a grande transição entre o mundo infantil e o mundo adulto – foram expulsos do paraíso aonde tinham todas as suas necessidades providas por um Deus Pai – e condenados ao sofrimento (começando pela vergonha), a ganhar seu sustento com o suor do trabalho e a finitude.  Se o enredo desse mito fosse diferente, e no lugar da vergonha aparecesse um “mas eu não fiz nada, a culpa foi da serpente…” será que teriam feito a transição? Não, continuariam infantis e inconscientes, pois a vergonha e o arrependimento são os grandes sinais de que o erro fora reconhecido. E se fossem expulsos pela transgressão? Deus seria um cara ruim que os persegue a troco de nada…

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