Transtorno de personalidade Borderline

Mar 27, 2016 by

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Chamamos de transtorno de personalidade certas tendências persistentes no modo de ser, de sentir, de agir e de perceber o mundo que trazem prejuízos para a pessoa e comprometimentos em suas relações. A psicoterapia visa instrumentalizar a pessoa a lidar com esses padrões, diminuindo assim os prejuízos que ele traz.

O transtorno de personalidade borderline é caracterizado por grande instabilidade emocional e uma dificuldade em conter esses impulsos e afetos, refletindo em um agir impulsivo, comportamentos imprevisíveis, acessos de raiva, instabilidade nas relações pessoais e profissionais. e assim por diante.

Talvez a maioria de nós experimente uma certa instabilidade emocional durante o dia, mas não na mesma intensidade do que alguém com este transtorno experimenta. Por isso conseguimos disfarçar bem nossos afetos pois conter uma onda tende a ser mais fácil do que conter um oceano inteiro.

Então existe a instabilidade no sentir e no agir – e elas não são a mesma coisa. Diferenciando isso o sujeito pode aprender novas formas de lidar com o que sente, diminuindo seus prejuízos pessoais por conta de seu caos emocional. Assim como expressar seu mundo interno de formar mais positivas. Tenho convicção que grandes obras de arte (teatro, música, poesia, pinturas e etc.) são frutos de artistas com traços border.

Essa instabilidade emocional do borderline pode manifestar-se também em sua identidade (noção de self). Quem ele é, como se vê, o que pensa e o que sente sobre determinadas circunstâncias e pessoas, assim como mudanças repentinas de trajetória de vida, de valores, de amizades e assim por diante. Sentimentos de vazio crônico e medo de abandono denunciam a pobre ligação que fazem consigo e com o outro. Pobre no sentido de consistência, jamais de intensidade.

Não é incomum que abandonem suas conquistas pessoais algumas vezes ao longo da vida, já que normalmente nos comprometemos com as coisas que fazem sentido para nós. Para ficar em algo ou com alguém é preciso estar vinculado emocionalmente com a coisa.

Tenho a impressão de que o borderline faz qualquer negócio para aliviar-se da angústia – da tremenda ANGÚSTIA que pode sentir. Mas não só dela, também do TÉDIO. Todas essas atuações parecem ser formas desesperadas de fugir de um estado altamente aversivo que eu expressaria como um barquinho sem leme sendo jogado de um lado para o outro, num mar infinito durante tempestades. Talvez venha dessa fuga seus mais assustadores comportamentos: aqueles que são prejudiciais a si próprios. Abuso de substâncias, tentativas de suicídio, automutilação, sexo desprotegido e tantos outros.

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Quem quiser ler mais sobre 0 cutting, uma forma de automutilação, clique aqui.

Também imagino que por conta dessa tremenda angústia que os assolam tendem a ter um amplo repertório de ações a fim de evitar o abandono em seus relacionamentos. Nada piora tanto a situação de um barquinho sem leme em alto mar do que a solidão. Estados infernais são terríveis, ainda mais quando nos vemos desamparados neles. São em suas relações mais importantes que as pessoas com este transtorno tendem a ter mais explosões de raiva, geralmente quando sentem que esse outro está sendo omisso com eles ou quando sentem a ameaça do rompimento. Esses comportamentos explosivos são geralmente seguidos por culpa e vergonha – o que só agrava a instabilidade da imagem que eles tem sobre si próprios.

 Pode também ocorrer alguns sintomas psicóticos em situações de crise, como dissociações, paranóia, alteração da imagem corporal, etc.

O que fazer caso você se identifique com essa descrição?

Primeiro passo é procurar ajuda especializada: psiquiatra e psicoterapeuta. E começar a fazer a seguinte separação: uma coisa é o que eu sinto, e outra coisa é o que eu faço com isso que sinto. Só assim vamos nos desidentificando com os estados emocionais que nos tomam. Enquanto alguém acredita (e se identifica) piamente com aquilo que sente vai continuar atraindo caos para si e para suas relações. Não podemos ser escravos dos estados internos. Deve-se tentar dominar e resistir a esses impulsos. O mar não tem ideia de onde você deve ir, ele é apenas força caótica, portanto pegue seu leme e estude as rotas de correnteza, a direção do vento e munido de bússola aprenda a navegar nessas ondas. E não se esqueça: mar calmo não faz bom marinheiro! Desejo-te uma boa viagem!!!

 

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