Os arquétipos da jornada do herói na juventude – O Explorador e o Amante.

Sep 24, 2009 by

Arquétipo do amante

Esse artigo é a continuação de “O mito do herói como a representação do tornar-se adulto” .

Quem ainda não leu, aconselho que comece por ele, na sequência leia “Os arquétipos da jornada do herói na infância – O Órfão e o Inocente”

Continuando pela nossa jornada do herói, os arquétipos que constelam e predominam durante a adolescência e o começo da vida adulta nos ajudam a descobrir nossa própria identidade. É muito comum na adolescência os indivíduos formarem grupos, e é justamente esse grupo que os dará o senso de identidade e de pertencimento a este  mundo. O que cria essa identidade grupal é o reconhecimento de que aquele indivíduo pertence a determinado grupo. A identificação pode se dar através de roupas, vocabulário, comportamento, gostos musicais, etc., mas sendo uma identidade criada de fora para dentro esta não permanecerá muito tempo, e o jovem sentirá a necessidade de desvendar e expressar seu verdadeiro self.

Preciso saber quem sou para buscar aquilo que quero. Isso é ter autonomia sobre a própria felicidade, e trabalhar ativamente sobre seu presente e seu futuro.

Os arquétipos desta fase, como o próprio título menciona, são o Amante e o Explorador. Vamos começar pelo Explorador…. de que forma esse arquétipo ajuda o jovem a desvendar sua identidade?

Basicamente fazendo o corte entre o conhecido e o desconhecido. Incentivando o jovem a ir além, sair de sua zona de conforto e se expor ao mundo. O explorador quer distância, quer se isolar para saber do que é feito. Teme que a comunidade possa influenciá-lo a abrir mão daquilo que ele é, teme se perder através de relacionamentos de  intimidade.

O explorador nos ajuda a nos afastarmos de nossos pais e a conquistar nossa independência, que garante a autonomia do ser. Ele nos ajuda a explorar diversas opções e a não se comprometer com nenhuma delas. Seu lema é liberdade.

Quando o explorador predomina, descobrimos nossa identidade nos diferenciando das outras pessoas. Os perigos dessa predominância podem ser vários, como a dificuldade em estabelecer vínculos afetivos e em se comprometer com o trabalho. O preço da liberdade pode ser pago com o sentimento de solidão.

Por não querer abrir mão das opções, o explorador acaba se comprometendo com nenhuma.

Já o arquétipo do Amante funciona praticamente de forma oposta, e compensa os aspectos do Explorador. Os dois em equilíbrio permitem que a pessoa desenvolva sua capacidade de amar e de se comprometer sem perder seu senso de individualidade.

O Amante nos ajuda a encontrar nossa identidade através daquilo que amamos. Nos interessamos por romance, amor, sexo… por firmar compromissos conosco e com os outros… um curso, um trabalho, um parceiro, etc…. e começamos a dar descrições da nossa personalidade de acordo com o que fazemos no mundo e das relações que estabelecemos.

Faça o teste… imagine como você se definiria para alguém… como se fosse seu primeiro contato com um desconhecido e como você se apresentaria para ele… falaria sobre sua profissão? Se namora, se tem filhos, das coisas que gosta de fazer? Se sua resposta é sim, provavelmente o arquétipo do Amante exerce alguma influência sobre você.

Quais seriam os perigos da predominância desse arquétipo? Talvez certa sensação de falta de liberdade. De tolhimento de partes do nosso eu. Tentamos ficar num equilíbrio sutil entre o EU e o OUTRO, e ceder aos desejos do outro pode ser sentido como frustração dos desejos do eu.

Quando o conflito da dualidade Amante x Explorador é resolvido, temos nas narrativas heróicas o encontro da Terra Prometida. A chegada a esse lugar simboliza o encontro da verdadeira identidade do herói e sua ligação com o amor transcendente. O herói tem uma identidade, ou seja, um sentimento de autonomia manifestado em sua capacidade de relacionar-se com as pessoas, comprometer-se com sua missão e aceitar com amor os desígnos de Deus para ele.

A Terra Prometida é o lugar em que podemos ser livres para viver nossos verdadeiros selves, amar e sermos amados – por aquilo que de fato somos. Talvez para você a Terra Prometida seja um lugar fixo, um espaço aonde você é e convive com quem ama. Ou talvez seja um estado de espírito, que te acompanha aonde quer que você vá. Seja qual for, permaneça vigilante para que não sejas expulso do paraíso…

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