Os arquétipos da jornada do herói na meia-idade – O Criador e o Destruidor

Oct 1, 2009 by

Shiva o destruidor

Quando chegamos à meia-idade normalmente muitas mudanças ocorrem ao nosso redor. Os filhos saem de casa, nos aposentamos, podem vir os netos… enfim, chega a hora em que o indivíduo vai ter que recriar sua identidade e renunciar a aspectos de seu antigo eu. É quase como se despojar de alguns papéis sociais e poder viver aquilo que se quer.

Essa renúncia nos possibilita chegar mais perto e mais fundo em nosso self. Já não temos mais que nos adaptar tão firmemente à cultura e então podemos ser mais fiéis conosco.

Essa abertura a uma nova vida requer a ajuda dos arquétipos do Criador e do Destruidor. O primeiro cria novos mundos, novos afazeres, novas formas de relacionar-se com as pessoas, novos interesses… e o segundo tem a missão de descartar aquilo que não nos serve mais – aquilo que não nos traz crescimento, prazer ou satisfação.

Quando o Destruidor predomina pode ser fácil livrar-se das coisas que já não fazem mais sentido em nossa vida: pode ser um cônjuge, um trabalho, um estilo de vida. Pode-se cair no vazio se não criar coisas novas e que estejam conectadas com seu verdadeiro self. Pode perder-se na imaginação das possibilidades e não concretizar qualquer uma.

Se o criador predominar, pode querer “abraçar o mundo”, e esgotar-se pela dificuldade de se livrar de aspectos de sua vida que já não fazem sentido ou não tem qualquer valência. Quem muito quer nada tem. O acúmulo de tarefas não o trará para perto de sua essência e sua felicidade, pelo contrário, vai apenas ocupá-lo o suficiente para que não sinta esse distanciamento.

Quando o Criador e o Destruidor equilibram-se a vida passa a ter uma perfeita simplicidade. Tem-se tudo o que é necessário e nada mais. Consegue despedir-se daquilo que não serve mais e criar novas possibilidades que são adequadas a você.

No mito do herói esses arquétipos podem aparecer como a morte e ressurreição. Você tem de morrer para renascer. Perde-se algo, que apesar de nosso apego, não nos serve mais, e cria-se uma nova forma de vida. Temos receio da morte, não gostamos de pensar nela. Mas quem não mata acaba por criar em si uma espécie de morto-vivo…

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