Os arquétipos da jornada do herói na velhice: O Sábio e o Bobo

Oct 4, 2009 by

velhice

Esses são os dois últimos arquétipos do mito do herói. Tanto o Sábio quanto o Bobo nos ajudam a encontrar a liberdade que precisamos para nos entregar à vida e à morte. Entrega por vezes é a única saída que temos. O maior medo humano é o medo dessa entrega… sair do controle… ser impotente.

Cada um desses arquétipos nos ajuda a conquistar a liberdade de uma forma singular. O Sábio através da sabedoria que aceita o decurso natural e imutável da vida. Perdas dos amigos, do cônjuge, dos familiares… perda da saúde, dos sonhos e das possibilidades…

O Sábio nos ajuda a entender o significado da vida e da morte – enfrenta grandes questões – encontra a liberdade na Verdade.

A predominância do Sábio pode dar o ar sisudo e pesado ao idoso. A dificuldade de aproveitar a vida que lhe resta ao invés de ficar procurando no passado e nas memórias o significado de sua vida. O hoje também importa. A leveza da vida que tem prazer no hoje nos remete ao arquétipo do Bobo.

O Bobo sabe e pode apreciar a vida. Os mais idosos geralmente tem a permissão para serem excêntricos  e até um pouco mais infantis. Se a morte não tem solução solucionada está. Aproveita a vida que lhe resta e a aceita como ela é. Sem a união com o arquétipo do Sábio o Bobo pode causar uma influência imprudente, inclusive por negligenciar as grandes questões da vida.

Sabedoria e deleite são as características que nos fazem transceder tudo o que é excessivamente humano e carnal. Nos liberta de questões menores e nos possibilita ser e existir com prazer hoje e pelo o que somos. O fim da jornada do herói nos traz iluminação. Nos traz morte e ressurreição. Para alguns o fim  é o nada. Para mim o fim é um recomeço renovado.

Essa jornada não é feita apenas uma vez na vida, e sim várias. A cada retorno do herói evoluimos mais um pouco. É um desenvolvimento espiralado. Retornamos novamente do ponto em que saimos, mas com um nível de consciência muito maior.

Tudo acaba onde começa.

“We move in circles
Balanced all the while
On a gleaming razor’s edge
A perfect sphere
Colliding with our fate
This story ends where it began”

Dream Theater – Octavarium

Comentários

  1. Olá Du. Sim, é possível ficarmos estacionados em etapas dessa espiral. Os motivos são diversos. Eu não acho que nossa sociedade ocidental nos ajude a chegar a esse desenvolvimento que deveria ser tão normal. Imagine que as pessoas tenham em si uma capacidade natural para fazer essa tragetória, mas as circustâncias de vida que cada uma se encontra vai ditar a forma que o desenvolvimento vai tomar.
    Pegue uma árvore por exemplo. Se ela tiver condições ambientais favoráveis vai crescer para cima (e para baixo em suas raízes). Se ela receber pouca luz, ou tiver obstáculos em seu caminho seu crescimento será tortuoso e a vida nela um pouco mais morta… pode ser inclusive que ela não cresça, ou que seus frutos não sejam saborosos… enfim, é apenas uma analogia…
    Penso que todas as formas de vida não podem ser desvinculadas de seu ambiente.
    Existem marcas que nossa história nos deixa que certamente causarão enroscos em nosso crescimento psicológico. É o que chamamos de fixações. Em terapia essas questões podem ser revistas e o principal papel do terapeuta é “desatar os nós” de seu paciente para que ele possa continuar o seu crescimento, para que self possa guiá-lo novamente na vida.
    Quando temos contato com nosso guia interno esse desenvolvimento acontece. =)

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