O vilão – o espelho do herói.

Oct 18, 2009 by

O bem e o mal

Esse fim de semana pensei em algumas questões acerca do bem e do mal.

Quando olhamos superficialmente o bem e o mal são coisas muito mais do que distintas: parecem opostas. Extremamente opostas. Mas conforme aprofundamos nosso olhar vemos que além de relativo – “O que é bom para mim pode ser mau para o outro” – essas qualidades parecem ter uma mesma origem arquetípica.

Nas histórias de heróis sempre existem vilões para combatê-los. E vice-versa. Um deseja acabar com o outro. O que muda são os motivos que cada um tem para isso. Enquanto o herói parece defender os propósitos superiores da vida humana – tais como ética, vida, saúde, paz, alegria, etc. – o vilão defende os propósitos inferiores de nossa vida – vingança, morte, terror, ganância, sofrimento, etc.

Nos sentimos péssimos quando nos deparamos com o vilão que vive dentro de nós. Não acreditamos como tivemos coragem de desempenhar tal papel ou de provocar um mal estar em outros seres humanos – muitas vezes justamente aqueles que mais amamos – nossos familiares, amigos, amantes…

Mas o herói e o vilão têm a mesma origem. Em algum ponto da jornada se separaram mas sua trilha sempre colide novamente. É como se algo tivesse que aprender alguma coisa com o outro para que pudessem ter mais equilibrio e paz em suas vidas.

Vamos pegar a história do super-homem por exemplo. Clark Kent e Lex Luthor eram amigos íntimos no começo e depois eternos rivais. Lucifer era o mais poderoso e favorito anjo de Deus – até a sua rebelião. E por aí vai…

A luta entre o bem e o mal dentro de nós nos tira muita energia. Muitas vezes uma energia que não poderíamos perder.

Para integrar esses opostos e acabar com o conflito – afinal heroísmo ou vilania é apenas uma questão de julgamento de quem observa – é importante que cada um reflita e conheça o herói e o vilão que carrega dentro de si.

Negar o vilão apenas o deixa mais enterrado nas trevas do psiquismo e a luz não pode chegar assim tão fundo…

E quando o seu herói falhar (sim, os heróis têm suas fraquezas) o vilão que vive em você pode te dominar e causar muito choro, culpa e ranger de dentes…

Dentro do processo psicoterapêutico podemos conhecer esses personagens que influenciam tanto nossa vida e iluminá-los para que não fiquem tão carregados desses aspectos inferiores de nosso psiquismo. Geralmente por termos medo de nossos aspectos inferiores – e do que eles podem fazer conosco e com outros – é que lutamos tanto para manter ativo nosso personagem bonzinho. Mas no fim das contas não é isso que somos (pelo menos não SÓ isso)…

Na caminhada para a iluminação tem que haver luz em todos os lugares – não apenas na superfície. Quanto mais a luz da sua consciência brilhar mais fácil fica para enxergar o que há abaixo dela. E nós sabemos que no escuro  o medo faz pequenas coisas tomarem grandes proporções. Acenda a luz e veja que no quarto não há um bicho papão – apenas você.

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Comentários

  1. Oi Thiago!
    Esse prazer sentido quando nos deparamos com o monstrinho que habita dentro de nós é muito comum na dinâmica sadomasoquista – e aqui é importante dizer o quanto todos nós temos um pouco dessa dinâmica (uns mais e outros menos).
    Agora vamos pensar nisso. Se temos um monstrinho sádico que mora nas profundezas da nossa inconsciência talvez ele seja a compensação de uma pessoa muito bacana e boazinha que bancamos (nossa persona) na consciência.
    E aí esse monstrinho dá prazer mesmo, é como se nos vingasse pelas coisas que o mundo já fez de ruim para o nosso ego.
    Não acho que seja uma falha de caráter. É um tipo de caráter. Cada um deles tem suas vantagens e desvantagens.
    Mais para frente vou falar sobre os tipos caracteriológicos que existem.
    E acho que tb tem a ver com a noção de que somos bons e maus ao mesmo tempo e que isso está ok… nos assustamos com o monstro quando temos enraizado que devemos ser seres perfeitos.

  2. vacinado

    putz, esse lance dos conflitos da mente são obvios, e de todos os super herois o unico que não passa por isso é justamente o superman que é de outro planeta e se esconde em uma personalidade introspectiva (por vontade própria) por ser diferente e para não chamar atençao para si… os outros em sua maioria (ou todos os outros) passaram por alguma situação onde ocorreu algum trauma físico ou psicologico antes de assumirem suas personalidades de heróis ou vilões…

    e como foi citado deus… a religião usa esta dualidade baseada no dia e na noite… nas trevas e na luz… o bem e o mal… deus e o diabo… ceu e inferno… coisa de quando o homem explicava o desconhecido através de mitos…

    humanos, para animais que desenvolveram tantas tecnologias… são bichinhos bem ignorantes…

    o lex tem os traumas dele e por isso tem algumas fixações… QUER* TER* poder e a louis…

    *propositalmente maiusculas!

    wikipedia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Clark_Kent
    Clark Joseph Kent é a identidade secreta do Superman, super-herói guardião de Metrópolis. Seu nome kryptoniano é Kal-El. Clark Kent trabalha como repórter no Planeta Diário (jornal impresso da cidade de Metrópolis) e finge ser uma pessoa tímida e introvertida, com o objetivo de não chamar atenção. Clark tem uma aparência que, praticamente não chama a atenção vestindo-se socialmente usando terno, camisa social branca, calça social da mesma cor do seu terno, gravata e de vez em quando um chapéu branco cabelo penteado para trás e óculos.

    lex (ver versão moderna)
    http://pt.wikipedia.org/wiki/Lex_Luthor

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