A traição masculina nos relacionamentos amorosos e a influência da Anima nas paixões.

Oct 21, 2009 by

A traição masculina

A traição – tanto a feminina como a masculina – é um assunto que desperta muito interesse. Por que as pessoas traem?

É claro que existem vários motivos para uma traição… um relacionamento que não anda bem, uma oportunidade que não pode ser perdida, etc. E homens e mulheres têm diferentes critérios para decidir sobre trair ou não.

Pois bem, hoje vamos falar sobre a traição masculina. Não sobre aquela que acontece sem qualquer conexão romântica – como por exemplo na situação de sair com garotas de programa ou com mulheres desconhecidas – mas aquela traição que é feita por homens que amavam suas parceiras e que acabaram por se apaixonar fortemente por uma outra mulher.

A sensação da paixão é indescritível. Todos que estão lendo esse texto sabem do que estou falando. Ela mexe muito com cada um de nós.

Quando conhecemos alguém temos a oportunidade certa para que essa pessoa (por ainda ser um tanto desconhecida) receber nossas projeções inconscientes. Na paixão é como se esse outro recebesse a projeção de nossa metade inconsciente – A anima (parte feminina do homem) e o animus (parte masculina da mulher).

Essa nova mulher que é vista como sua metade por aquele homem vira o centro de seus desejos e a traição pode então acontecer.

Supondo que esse homem termine seu relacionamento anterior e fique com sua nova paixão: ela vai durando até que esse casal comece a se conhecer melhor e o homem enxergue que aquela mulher é real, não é sua metade. Ela é um outro indivíduo inteiro que não pode satisfazer suas necessidades de preenchimento. Nessa hora pode acontecer o amor – um sentimento de respeito, companheirismo, atração, etc. – e esse casal crescer junto. Se esse homem não perceber que sua metade está dentro de si – e não fora – novas paixões (e novas traições) poderão acontecer na sequência – já que sua projeção da anima foi retirada de sua atual parceira.

O homem que não reconhecer sua anima tem basicamente quatro saídas: comprometer-se com sua parceira e continuar a relação com um sentimento de obrigatoriedade (pelos mais diversos motivos) renegando sua sexualidade, outra saída é comprometer-se com o seu direito de apaixonar-se e viver essas paixões que são eternas enquanto duram (pulando de um relacionamento para outro) ou a terceira e talvez a que carregue mais consequências negativas: manter o seu relacionamento e trair sua companheira a cada nova paixão. A quarta saída falarei mais tarde.

No livro “A chave da psicologia do amor romântico” o analista junguiano Robert Johnson descreve muito bem como se dá a transferência da projeção da anima e suas consequências.

“É típico de um homem moderno começar um casamento com uma imagem anímica projetada na esposa; ele somente começa a conhecer a esposa como mulher depois que a projeção começa a se esvaecer. Ele descobre que a ama como mulher, que a valoriza e a respeita, ele sente a beleza de estar comprometido com ela e saber que ela está comprometida com ele. Um dia, porém, ele encontra outra mulher que capta a projeção da anima dele, e ele não conhece nada sobre anima e menos ainda sobre projeção; sabe apenas que essa “outra mulher” parece ser a essência da perfeição; uma luz dourada parece envolvê-la, e a vida torna-se excitante e ganha significado, sempre que ele está em sua companhia.”

Essas paixões motivadas pela projeção da anima são quase irresistíveis, justamente pela sensação que elas trazem de que a outra pessoa é a metade que falta para esse homem. O problema é a falta de realidade desse sentimento. Outra pessoa não é nossa metade – isso é uma ilusão curada pelo amor, quando escolhemos estar com alguém porque admiramos a pessoa e reconhecemos quem ela verdadeira é com a retirada de nossas projeções inconscientes.

A quarta saída para a situação da paixão extraconjugal seria a ideal – e acredito que seja possível quando o casal reconhece a liquidez de uma relação de amor e também a ilusão que pode acompanhar as paixões. É inevitável apaixonar-se por terceiros durante relacionamentos de longo período. Ok! Isso não tem nada de errado, é sinal que estamos com nossa sexualidade em dia. O que devemos refletir é o que fazer com esse sentimento.

Essa paixão pode dar ao homem consciente da importância de sua lealdade e do seu compromisso com sua parceira a noção de que ambos precisam dedicar-se à esse relacionamento se quiserem salvá-lo. (Se não quiserem isso já é uma outra história…)

Homens (e mulheres) precisam entender que a felicidade não está em outra pessoa. A busca pela metade é uma busca interior. Ninguém a achará fora de si.


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