O inconsciente – “Decifra-me ou te devoro!”

Oct 24, 2009 by

Modelo do aparelho psíquico segundo a psicologia analítica

Muitos já ouviram falar a respeito do inconsciente. Esse termo é tão difundido que a aceitação sobre sua existência não encontra mais tanta resistência quanto antigamente. O inconsciente foi ganhando corpo e respeito através das teorias psicanalíticas e ele abrange basicamente a maior parte de nossos psiquismo. Se compararmos nosso psiquismo com um iceberg o inconsciente seria toda a parte que está abaixo da superfície do mar – enquanto a consciência é apenas o topo da montanha de gelo.

Dessa forma é como se em cada ser humano existissem duas pessoas diferentes que se influenciam mutuamente. Quem nunca se viu lutando contra si próprio? Frases como essas que estão listadas abaixo são muito comuns:

“Eu não entendo por que nao consigo viver longe daquela mulher que me faz tão mal…”

“Tento emagrecer mas parece que uma força maior sabota minhas tentativas…”

“Não sei por que parece que só me interesso por homens casados – antes mesmo de saber que são casados!”

“Não consigo parar de fumar!”

“Pensamentos repetitivos e incontroláveis tomam conta de mim e não passam até que eu faça alguma coisa – eu sei que não fazem sentido, mas não consigo evitá-los”.

“Tenho uma vida tão boa, tão perfeita, que não entendo o por que sinto tamanha insatisfação”.

“Uma parte de mim quer enquanto a outra não quer… não sei qual decisão tomar!”

Parece que o homem moderno está condenado a viver com seu oposto dentro de um mesmo corpo. E a única saída é tentar de alguma forma integrar essas metades para que boa parte desses conflitos desapareçam e deixem de gastar uma energia preciosa para nossa saúde física e mental.

Nosso ego – o centro de nossa consciência – é naturalmente belicoso. Não aceita (por não compreender) as intenções de nosso inconsciente. É preciso então trabalharmos para que esse ego entre em contato com o inconsciente para que possam estabelecer acordos. Essa é a forma de integrar nossos opostos. Aproximar – ou religar – o centro de nosso consciente com o centro de nosso psiquismo.

Didáticamente temos o inconsciente dividido em duas partes: o pessoal e o coletivo. O primeiro teria em si conteúdos de nossa própria história pessoal e o segundo conteúdos em comum com toda a espécie humana – os arquétipos, os instintos e tantos outros símbolos por exemplo.

Talvez em algum tempo de nossa evolução enquanto espécie fossemos apenas seres inconscientes. O desenvolvimento da consciência foi um passo necessário para que pudessemos viver em sociedade. Nosso psiquismo está em constante desenvolvimento. Doze, dez mil anos de história vivendo em sociedade ainda é pouco tempo e o processo de conscientização da espécie humana está em pleno andamento. A medida que conhecemos nosso inconsciente nossa consciência se expande e ficamos um pouco mais integrados.

Dentro do processo psicoterapêutico buscamos essa integração através do conhecimento de conteúdos inconscientes. Muito bom seria se todos conseguissem entender claramente as mensagens inconscientes – mas ele tem uma linguagem própria. Revela-se por símbolos, imagens, sintomas físicos…
É um desafio conhecê-lo e quando fugimos a essa tarefa existem consequências a nossa saúde. É como a esfinge do mito de Édipo: “DECIFRA-ME OU TE DEVORO”.

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