Caráter Masoquista

Nov 4, 2009 by

O masoquista carrega o mundo nas costas

Ha uns dias atrás prometi falar um pouco sobre os tipos de caráter segundo a visão da psicologia corporal. Gostaria de começar pelo Caráter Masoquista.

O masoquismo é um problema bastante presente em nossa sociedade, justamente por ser altamente valorizado.  Por mais que esse não seja seu caráter dominante, acredito que muitos ao lerem o post se identificarão com alguns traços.

O masoquista é alguém que geralmente trabalha muito, que dá a outra face, obedece as leis e costumes. Ao mesmo tempo em que existe essa valorização social também ocorre a desvalorização. Ele passa um aspecto de coitado, de humilhado. Em seu íntimo, intercalam sensações de superioridade – até mesmo por aguentar situações extremas – com sensações de inferioridade, muito relacionadas com a sensação de estar sendo abusado por outros, acompanhada de certo ressentimento.

O conflito do masoquista tem origem em situações de humilhação no começo da infância, onde o amor foi condicionado a obediência. É como se ele tivesse que controlar e suprimir suas necessidades e características para viver um personagem que atenda às necessidades alheias.

O masoquista deve perceber a forma como seus mecanismos de defesa acabam proporcionando as dificuldades vivenciadas por ele hoje, especialmente em seus relacionamentos íntimos. Ao carregar outros em nossas costas não damos a eles a oportunidade de desenvolverem indepêndencia. O que cria o ciclo de ter que carregar a familía, o namorado, a esposa, os amigos, o trabalho e tudo mais nas costas.

Por passar a impressão de quem aguenta e resiste a tudo, o masoquista não exprime suas próprias limitações. E a recompensa ou o reconhecimento que ele espera receber em troca de seu esforço não vem. O que vem é mais trabalho e mais pessoas para ele cuidar.

No masoquismo existem alguns conflitos que se dão em pares de opostos. A começar pelo sadismo que anda de certa forma sempre junto. O masoquista é bastante provocativo, mas de forma muito sutil e polida, e por ser alguém prestativo, essa característica sádica é dificilmente identificada neles pela maioria das pessoas. As provocações são formas de alfinetar os outros e provocar ataques agressivos que reforçam ainda mais a idéia de que o masoquista seja um santo, que aguenta tudo.

Ao entrar em contato com seu sentimento de inferioridade interior poderá trabalhar no sentido de não precisar provar sua superioridade de forma compensatória em sua vida consciente.

A medida que ele puder ser si próprio e deixar de lado o personagem do bonzinho que carrega o mundo nas costas poderá estabelecer relações íntimas de maior qualidade, mostrando ao mundo sua fragilidade e seus limites.  Precisa aprender também que o prazer é um direito, é o que faz nossas vidas mais leves, e que a responsabilidade das coisas que acontecem no mundo não são exclusivamente suas. DIVIDA o fardo querido masoquista. Você vai perceber que também pode contar com as pessoas. Isso te custará a imagem de super-homem (ou mulher-maravilha), mas deixar o super de lado vai te tornar mais HUMANO!!!!

LOWEN, A. O Corpo em Terapia: a abordagem bioenergética. 6a ed. São Paulo: Summus, 1977.

VOLPI, J.H. & VOLPI S.M. A Análise Bioenergética. Curitiba: Centro Reichiano, 2003.

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Comentários

  1. Gostei do texto! mas ñ concordo com o contéudo dele, já convive com uma mulher masoquista e ela ñ se comportava assim, muito pelo contrario! posso tá errado! mesmo assim ficou d+++…

  2. Clarissa

    Conheci hoje seu Blog e já li muitos posts, todos MARAVILHOSOS! a clareza do seu texto é uma dádiva, uma coisa rara, pois o que impera por aí é a vaidade a turvar as águas de todas as disciplinas para parecerem donos de uma verdade inescrutável para a maioria dos mortais. Estou de alma lavada com a luz que vem de você.

  3. Clizeide

    Agora, aos 46 anos comecei minha terapia, e que meu caráter é completa e totalmente masoquista!! quase chorei com o seu “divida o fardo” e “pode contar com as pessoas”. Obrigada pela clareza do seu texto, agora, é “só” me trabalhar psicologicamente!!

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