O Caráter Oral

Nov 10, 2009 by

Um vazio afetivo

Vou começar esse post de maneira um tanto polêmica. Eu não conheço alguém que não tenha traços de oralidade em sua estrutura. Por mais que nós tenhamos traços de praticamente todas dentro de nossa personalidade os traços orais se destacam bastante em nossa cultura.

O conflito (ou trauma) do oral relaciona-se ao direito de receber suporte. Sua experiência é de privação – ele quer mais  afeto, mais comida, mais bebida, mais dinheiro, mais atenção, mais reconhecimento, mais respeito, etc. e quer menos trabalho, quer fazer menos esforço, menos concorrência, menos problemas, menos abandono, etc. . No oral vemos claramente o conflito de opostos dependência x independência dentro de seus relacionamentos. O mais comum é encontrarmos orais que demandam muito do outro para compensar sua sensação de falta ou de insuficiência. É alguém muito necessitado em sua vida consciente porque se orienta em seu íntimo pela falta. Justamente por essa falta ou esse vazio que não é preenchido o oral tem tendências depressivas e agressivas. Deprime por estar em contato com esse vazio e pode ser agressivo quando privado de suas necessidades e vontades.

Como sabe o que é prazer e vive num estado de insatisfação o oral tem uma tolerância baixa à frustração de seus desejos. Não luta com muito sacrifício por aquilo que quer. Não termina as coisas que começa – pode ser um curso, um emprego, um regime, uma academia… enfim…

A grande vantagem da oralidade é sua capacidade de expressar afeto, de manter relacionamentos próximos e intimos, ter amizades… enfim, relacionar-se com outras pessoas afetivamente. É alguém muito carinhoso. Pessoas desse tipo de caráter também sabem apreciar os prazeres da vida. Para um clássico oral não tem nada melhor do que um jantar saboroso ao lado do amor de sua vida num restaurante caro, seguido por declarações de amor e uma boa noite de sono, dormida de conchinha.

Podemos encontrar traços orais trabalhando de forma oposta – ou seja – o indivíduo por ser mais sensível pode ter sofrido a privação de suas necessidades afetivas e busca a independência como forma de proteger-se. É o medo de se machucar que o afasta dos relacionamentos íntimos.

A resolução do conflito oral deve ser feita de maneira que o indivíduo sinta que pode receber suporte e carinho dos outros assim como pode contar com suas próprias pernas para preencher suas necessidades. Não podemos esperar que o outro nos complete, nos preencha e satisfaça nossas demandas. Os orais extremos nos sugam de todas as formas, é como se esperassem que o mundo os servissem.

Esse sentimento de contar consigo é o que vai dar ao oral o valor e o preenchimento que ele busca fora de si. É preciso desenvolver suas questões ligadas à dependência e entrar em contato com a realidade e especialmente, responsabilizar-se por ela. Lutar pela vida e por seus objetivos – sem medo de sofrer!

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