Clarice Lispector – alguém que me entende!

Nov 21, 2009 by

Clarice Lispector

Devo confessar que não me sinto apta, de forma alguma, a comentar sobre Clarice Lispector. Mas sempre que leio algo dela (também devo confessar que ela é recente em minha vida) sinto que não estou só em meus devaneios.

Se tivesse tido a oportunidade de sentar-me com ela e conversar, sei que as horas se passariam como se fossem minutos.

Talvez essa idenificação ocorra por ela ser uma intimista – como eu – que busca encontrar dentro de si quem ela é.

Uma coisa é certa. Ela sabe que ela é. E é única!

Encontrar aquele que é em nós é poder nos despojarmos de nossas máscaras e não mais nos identificarmos com elas.

Apenas uma ressalva importante: despojar-se da máscara não significa abandoná-la. Existe uma necessidade social em manter-se papéis e condutas. O despojar-se é saber diferenciar o que é você daquilo que é o que a socidade espera que você seja. É o corte essencial feito na idenficação com esses papéis, para que você possa vestir (e também retirar) a máscara.

O processo de psicoterapia trabalha bastante dentro desse enfoque, para que decisões que realmente tragam alegria para a vida do sujeito possam ser tomadas.

Aquilo que o outro decide para mim dificilmente me fará feliz. Isso é óbvio. O díficil é que geralmente nós nos identificamos com os desejos e decisões do outro, como se fossem nossos….

De volta à Clarice, coloquei algumas citações abaixo no post.

Um forte abraço!!!!


“Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento.”

“Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato…
Ou toca, ou não toca.”

“É difícil perder-se. É tão difícl que provavelmente arrumarei depressa um modo de me achar, mesmo que achar-me seja de novo a mentira de que vivo.”

“…Que minha solidão me sirva de companhia.
que eu tenha a coragem de me enfrentar.
que eu saiba ficar com o nada
e mesmo assim me sentir
como se estivesse plena de tudo.”

“Escuta:eu te deixo ser. Deixa-me ser, então.”

“E o que o ser humano mais aspira é tornar-se ser humano.”

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Comentários

  1. Ola tenho 43 anos sofro de simidro pãnico meus dias são dificil choro muito porque tive perdas familiares cinco pessoas que eu amava muito perdi a vontade de viver não consigo trabalhar meu auto estima esta baixo me ajuda quero voltar a viver muito obrigado cristina

  2. Du Cabrera

    Clarice já faz parte da minha vida ha tempos… sempre gostei de sua linha intimista e visão de mundo. Ela foi, ou ainda é, através de seus escritos, realmente “alguem que me entende”. Digo mais… acho que esse sentimento toca a uma boa fatia do nosso bolo social. Corrigindo então, Clarice é um “alguém que NOS entende”.

  3. Cristina, você precisa procurar um psicólogo em sua cidade e se comprometer com a recuperação de sua vida. Se for de Curitiba pode agendar um horário comigo e veremos como posso te ajudar.
    Um abraço

  4. Thiago

    clarice eh uma das poucas pessoas que nao mostra medo de descobrir…para ela, perder-se (se livrar das mascaras, descobrir-se a si mesmo, ou até mesmo constatar algo que sempre esteve debaixo do seu nariz) também pode ser o caminho.

    Obrigado pelo post

  5. Taiamara Baroni

    Ótimo post… isso nã é fácil, mas vou fazer como a Clarice… me livrar das mascaras e me descobrir!

    Beijoss

  6. Liliany

    Olá,
    Também sou de Curitiba e fã de Clarice. Mais do que fã, eu amo de paixão. Já li quase tudo o que ela escreveu. Tenho a sensação que ela me entende ou até mesmo que me conheceu de alguma forma. Às vezes leio um texto qualquer e vejo suas palavras se encaixarem como uma luva naquilo que estou vivendo. No momento ela me diria: “Também era bom que não viesse tantas vezes quantas queria: porque ela poderia se habituar à felicidade.” C. L.
    Passarei a acompanhar seu blog de hoje em diante pq gosto muito de psicologia.
    abraço

  7. Adorei esse post!
    Já conheço a Clarice, quase nada perto do que deveria, mas do que conheço tb a considero introspectiva, pensadora de si mesma, amante de indagações, de falar de si… Tbm penso que me pareço com ela!
    Feliz de nós que somos meio “Clarices”…
    rs
    Melhor do que Amélias!!
    rsssssssssss

  8. Olá!
    Sou bioterapeuta e não posso deixar de te escrever devido a uma grande sincronicidade… Semana passada, descobri o seu blog pq estava vendo se o meu blog aparece no google, rs! O meu é super recente e deve aparecer entre os últimos da lista, mas o que me fez chegar até o seu foi a semalhança entre o nome “terapia em dia” e o que escrevi abaixo do título do meu: “um blog que vai do dia-a-dia à terapia”. Mas isso é pouco, o que me chamou a atenção foi que somos vizinhas, estou aqui na Rua Bruno Filgueira, do lado da Pe. Anchieta…Gostei muito do seu blog, estou lendo um pouco por dia, e ontem, antes de dormir, pensei na empatia e agora vi que aqui está um novo post sobre ela!! Continuei lendo seus textos e agora que cheguei neste da Clarice (escritora que sempre amei!), me deparei com um trecho que também postei no meu blog, que coisa, não? Por isso resolvi te escrever, mas principalmente pra te dizer que estou aprendendo com você. Obrigada!
    Um abraço,
    Juliana.
    (vou continuar lendo…será que tem mais alguma surpresa pela frente?!)

  9. Olá Juliana!

    Quantas coincidências boas! estamos sintonizadas na mesma frequência ehheheh!
    Estou olhando seu site agora, acho que deveríamos nos conhecer!

    Um bjo grande!

  10. Com certeza! Já que estamos perto,ficarei feliz em te receber na minha casa qdo vc tiver um tempo livre.

    Um beijo!

  11. Nossa, mas que delicia achar esse monte de mulher interessada em Clarice! Estive neste fim de semana na 21ºBienal do livro, é um dos temas principais é nada mais que Clarice Lispector. Este ano foi meu primeiro contato com os livros dela, li “Laços de Familia”(e indico) e estou terminando “Uma aprendizagem ou livro dos prazeres”, muito interessante para quem é jovem é quer se descobrir no campo afetivo. Clarice tocou-me muito, mais ainda por uma entrevista que vi dela, no ano em que morreu, onde ainda estava bela, mas ja conhecia seu estado de saúde agravado. Na entrevista, foi lhe perguntado ” Você está triste?” e ela respondeu (maravilhosamente): “Não estou triste, estou apenas cansada.” –Isto me motivou demais! Encontrei uma força enorme na voz dela, uma voz forte, que não se deixava abater. Neste domingo, dia 15/08, no stand com fotos dela, vi seus traços de mulher mais proximos, as imagens de seu cotidiano como escritora e pude conhecer Affonso Romano de Sant´Anna e José Castello, que tiveram contato com Clarice ainda viva e na sua plenitude. Eles relatam situações em que ela era ELA e mais ninguém, com sua forma excêntrica de ser. Muitas pessoas se identificam com CLarice e sem dúvida, me encontrei nos escritos dela. Eis um dos que mais gosto:
    ” Olhe, tenho uma alma muito prolixa e uso poucas palavras.
    Sou irritável e firo facilmente.
    Também sou muito calmo e perdôo logo.
    Não esqueço nunca.
    Mas há poucas coisas de que eu me lembre”.

    Este é um trecho do livro que estou lendo, na fala do personagem Ulisses. Se ela soube dizer como penso na fala de um homem, imagine se estivesse aqui, conversando agora comigo…
    Vale a pena conhecer mais obras de Clarice e se aprofundar mais no enconto do “si mesmo”, com a ajuda dela.
    Muita sincronicidade, como disse a Juliana.
    Abraço

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