O estar apaixonado.

Nov 26, 2009 by

Maritte - Os Amantes

Quem nunca se apaixonou? A maioria de nós certamente já. Vivemos em busca do amor, da paixão…

Acredito que  o amor romântico seja o sistema mais energético de nossa psique ocidental. Muito do que fazemos – inclusive coisas que aparentemente não possuem qualquer relação com o assunto – é feito para crescermos aos olhos do outro. Não é a toa que homens buscam poder, dinheiro, status social, etc… pois esse elementos são essenciais dentro da seleção sexual feita pelas mulheres. Também não é a toa que mulheres gastam tanto em produtos e tratamentos de beleza. Não quero reduzir essas coisas apenas à procura do amor, mas certamente não podemos desconectar nossos hábitos e formas de agir coletivas de sua função sexual.

O amor é hoje a arena em que homens e mulheres procuram atingir plenitude, êxtase, sentido de vida… e também alguma auto-estima.

É interessante notar que em sociedades aonde o amor romântico não é valorizado (o que é inconcebível para nós ocidentais modernos) a busca do êxtase, da plenitude e do sentido da vida é buscado através da religiosidade. Vemos isso hoje em muitas culturas orientais. Mas aqui no ocidente o Grande Outro é o objeto de nossas paixões.

Apaixonar-se é também acreditar que o Outro pode nos resgatar.

Pois bem, se queremos a salvação através do amor, possivelmente seja essa mesma salvação que nosso parceiro busque dentro dessa relação. E aí começa uma grande imposição de ideais e expectativas de um parceiro em relação ao outro. Queremos que nossas necessidades sejam preenchidas pelo outro durante a fase da paixão.

E durante essa fase como é fácil que o outro nos leve aos céus ou nos jogue em um abismo emocional. É como se esse homem ou essa mulher tivesse a capacidade de nos trazer luz plena ou escuridão total. Quase como uma entidade divina.

Durante a paixão acontece como que um eclipse da consciência. Quantas pessoas chegam até mim e dizem que se perderam em uma paixão, que destruiram suas vidas, e com o término da paixão estão nos consultórios juntando os cacos que sobraram. A hora em que uma relação apaixonada é perdida o sentido da vida tem que voltar para as mãos do sujeito.

E é engraçado como a MESMA pessoa pode em um dia significar tudo para nós e passado um tempo o interesse se perde, a paixão se acaba.

Posto isso, vale a pena pensar que não é o objeto de nossa paixão que carrega em si mesmo tamanho significado. Esse significado quem atribuí a eles somos nós. É como se projetássemos em nossos parceiros algo que não reconhecemos em nós e que nos deixa inteiros.

Sendo algo que parte de nós e não do outro dificilmente uma pessoa vai corresponder a todas as expectativas que temos em relação a ela. A impressão da correspondência ocorre enquanto estamos apaixonados, e a medida que a paixão passa temos a oportunidade de conhecer o outro como ele realmente é. Um ser humano e não um deus.

Quando não conseguimos lidar com essa frustração de nossas expectativas em relação ao outro as relações tornam-se insustentáveis.  Começam as brigas, as cobranças, a exigência e a esperança de que esse outro vai mudar. Ou a relação simplesmente termina, e passamos para a próxima projeção (a próxima paixão).

Dentro de um relacionamento amoroso maduro e estável o que vemos é que os parceiros puderam lidar com a retirada de suas projeções um do outro e não só aceitaram – mas amaram – o que o outro é realmente. Amaram inclusive os defeitos. E se não amaram, comprometeram-se a aprender a lidar com eles.

Precisamos desistir de preterir o amor em relação à paixão. Esse grande Outro, que te preenche e te enche de êxtase não está em outro ser humano. Está em você. Ou está em uma divindade.

Um outro humano deve ser objeto de nosso afeto e amor. Mas como podemos amá-los enquanto não enxergarmos quem ele realmente é?

“Passamos a amar não quando encontramos uma pessoa perfeita, mas quando aprendemos a ver perfeitamente uma pessoa imperfeita.”

San Ken

Bibliografia: Johnson, R. We

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Comentários

  1. gostei do blog… nunca tinha visitado aqui.. parabéns

  2. Juliana - Londrina

    Minha psicóloga me disse uma vez que amar não é sofrer, então se sofremos não amamos realmente. Na época foi dífícil entender… mas hoje concordo plenamente aceitar que o outro não é como imaginamos e amar aquilo que ele é, pra mim foi até um processo de auto-conhecimento. Aprendi a me conhecer, me aceitar , compreendendo o outro no caso meu marido rsrsrs!!! O casamento me ensinou muitas coisas, amadureci muito!!!
    E viva o amor!!!
    O amor saudável, é claro!
    Ju
    Obs: Adorei o blog

  3. Regiane

    Adorei seu blog! Também sou psicóloga, mas trabalho na área organizacional e ando afastada da clínica. Excelentes seus textos, em especial este sobre a paixão! Curti muito! Parabéns!!!

  4. Andreia

    O processo de auto conhecimento é importante, ajuda o amadurecimento e nos coloca no caminho da sabedoria.
    Tbm aprendi depois do fim de um relacionamento que devemos mar as pessoas com dos defeitos dela. Na verdade, sempre entendi isto, mas meu ex-marido nunca entendeu os meus. Mas acredito que um dia, talvez ele consiga isto, pois so fazer bem pra ele, senão o unico “fim” pra ele será a solidão.

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