Por que é tão díficil escolher?

Dec 12, 2009 by

Dúvidas e incertezas aparecem quando temos opções

Somos filhos de uma época que é ao mesmo tempo cruel, bondosa e cheia de paradoxos. Hoje gostaria de falar de um deles: a liberdade (e a dificuldade) de escolha e de que forma podemos aproveitá-la para sermos mais felizes.

A autonomia e a valorização da individuação (o tornar si próprio) é algo muito recente na história do mundo ocidental. A maioria de nós teve avós que foram criadas para casar-se e cuidar dos filhos e avôs que deveriam trabalhar para sustentar a casa. Essa era a lei natural das coisas. As pessoas nasciam com um passado, um presente e um futuro mais ou menos determinado pela sociedade em que viviam. Isso ainda acontece, mas existe um diferencial (que é uma espécie de benção e castigo ao mesmo tempo): hoje temos mais opções e mais papéis que podemos desempenhar.

Fui criada para escolher uma profissão, ter uma vida independente, ser esposa, mãe, etc… quase como se eu pudesse ser tudo aquilo que quisesse. Ouvimos muito a frase “quem quer consegue!”. Dentre todas essas opções existem algumas armadilhas e a primeira que vejo é a sobrecarga. Queremos ser ricos, bons pais, bons amantes, bons profissionais, saúdaveis, blá blá blá. Queremos tudo. E quem muito quer…. as vezes nada consegue. As vezes consegue tudo, mas paga um preço caro.

Vejo que muitas vezes o que nos sobrecarrega é nossa dificuldade de fazer escolhas. Escolher não é simples porque pressupõe o abandono de muitas outras possibilidades. Quando escolho um marido perco a oportunidade de namorar os outros homens que conheço. Quando escolho uma profissão perco a chance de me realizar em outra. Quando escolho fazer uma viagem deixo de gastar esse dinheiro com outras coisas, etc. E isso nos coloca frente a frente com a responsabilidade que carregamos por nossas próprias escolhas. Queremos escolher sempre certo. E muitas vezes o medo de errar é o que nos impede de escolher algo, de nos compremetermos com essa escolha e investir para que ela dê certo. O resultado é a paralisia.

Ao menor sinal de que a escolha não foi certa pensamos que escolhemos errado. E não é bem por aí… quase tudo nesse mundo requer investimento – seja um negócio financeiro ou a criação dos filhos.

Mas então, como podemos ao menos melhorar nossas chances de tomarmos as decisões que nos farão felizes?

Acho que o primeiro passo é diferenciar o que é um querer próprio do que é um querer imposto pelos valores sociais.

Quem não conhece alguém que cursou uma faculdade que o pai sempre quis ele próprio fazer? Quem não conhece alguém que terminou um namoro porque a família desaprovou? Quem não conhece alguém que teve filhos porque os pais ou os sogros queriam ter netos?

Quando tentamos realizar o desejo dos outros através de nossas vidas a chance disso se tornar um fardo é muito grande. Separar o que é desejo próprio do que é desejo social já é um bom começo para escolher o melhor para si.

O segundo passo é buscar informações sobre as opções que você tem. Se quer um emprego novo, pesquise quais empresas tem um perfil parecido com o seu. Converse com pessoas que trabalham lá. Se pensa em comprar determinado carro, pesquise o que os consumidores dizem sobre esse carro. E assim por diante.

Terceiro passo: planeje. Se você quer algo, o que tem que fazer para consegui-lo? Quais são as formas mais seguras?

Quarto passo: Se após ter cumprido as primeiras etapas você decidir se comprometer com sua escolha, FAÇA! AJA! Não espere que um dia as coisas caiam do céu ou se ajeitem sozinhas. Isso até pode acontecer, eu realmente acredito em milagres, mas também acredito que nossa vida é responsabilidade nossa e de mais ninguém. Nessa hora o medo é o que tende a nos paralisar.

Quinto passo: invista. Seja no casamento, no emagrecimento ou em um novo negócio o que vale é manter o compromisso com sua escolha e investir para que ela dê certo.

Somos responsáveis pelo caminho que seguimos em nossas vidas, pelas decisões que iremos tomar e em última instância pela nossa felicidade. Já não podemos culpar ninguém a muito tempo. Se algo não está bom, tenha a coragem de mudar! A vida é muito curta para ser pequena.

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Comentários

  1. Olha, não existem estatísticas para sua pergunta. Mas eu diria que todos nós paralisamos em algum momento da vida. E se você ainda não conseguiu não desista! Talvez você esteja com dificuldades ou ainda não tenha tentado… mas continue a nadar! hehe
    um abraço!

  2. Du Cabrera

    Continue a nadar… isso ae!
    Eu escolhi!!! E acho que dessa vez, acertei.
    Beijos Ana

  3. Eu também acho du!!! =)

  4. telma

    Muito bom seu post, é isso mesmo, acredito q o fato de paralizar já é o primeiro passo para enfrentar a situação e começar a trabalha-la. É essencial o parar, sentir, refletir, respirar e dar o novo rumo.

  5. Sou mto indecisa!
    E a cada ano que passa fico pior!
    Por ser tão indecisa acabo acatando a opinião dos outros, pensando que nao tenho a minha…
    Acho que isso é o que paraliza, não é?
    Sou de Ibiporã, moro em São José…
    Sua vizinha 2x.
    Sempre quis fazer psicologia, acabei fazendo Direito por escutar a opinião dos “pais”…
    Atualmente estou tentando retomar a minha vida, indagando-me mto sobre “qual escolha a fazer” pq já fiz mtas escolhas erradas na vida….
    Mas como fazer isso se mal sei quem sou?
    Quantos anos vc tem?

  6. Giovane

    aow, muito legal seu blog. Tinha posto nos favoritos outro dia por uma olhada meio por cima e hoje o encontrei la na lista.

    Com certeza vc está contribuindo para uma humanidade mais feliz. Parabéns e vlw por compartilhar seus conhecimentos conosco

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