Algumas diferenças psicológicas entre o Oriente e o Ocidente

Jan 5, 2010 by

Agora pouco me deparei com esse vídeo no youtube.com … e fui ler os comentários, pois em nós ocidentais provoca todo tipo de reação aversiva. Sentimos raiva, chamamos de abuso infantil, perguntamos cadê os pais dessas crianças.. mas não podemos julgá-los, já que nosso psiquismo é diferente do oriental.

Quando um oriental olha para esse lado do mundo, vê falta de disciplina, falta de comprometimento, hedonismo, falta de limites e um grande egocentrismo.

E agora vou tentar explicar o motivo. Bem, teoricamente nascemos todos iguais e é nossa sociedade que vai moldar nosso eu. Vou chamar esse “eu” de ego, para diferencia-lo do “grande eu”, o self.

O ego é a parte de nosso psiquismo responsável por nos colocar em contato com nossa realidade. É o centro da consciência. É aquela parte que você conhece de você mesmo. Sem o ego mergulhamos no inconsciente e nos perdemos por lá…

Pois bem, o ego é tratado de formas diferentes nas duas metades do mundo. Por aqui, esperamos que a pessoa durante sua infância e e início da adolescência aprenda como é o mundo, do que ele é feito e receba de bom grado os costumes  da sociedade em que ela vive.  Mas esperamos também que com o tempo essa pessoa desenvolva um senso crítico e perceba que nem tudo nessa sociedade funciona para ela, que nem toda verdade comunitária também é uma verdade individual e que a fé e o caminho em direção a felicidade deve ser trilhado pela pessoa a medida que ela se diferencia do resto do mundo e entende quem é ela, o que ela quer e como será feliz.

Vemos algumas pessoas falarem ressentidas: fiz o curso que meu pai queria e sou infeliz… ou me casei com quem minha família quis e não deu certo… etc. O ocidental tem claro em seus valores que ele é único e que tem o direito de escolher como viverá sua vida, ou seja, que ele deve se conhecer e desenvolver seu ego.

Desde pequenas as crianças arriscam um “Você não manda em mim!”.

Pois bem, no oriente a idéia é outra. Lá o ideal – inclusive religioso – é a supressão do ego em favor do social. Eliminar os desejos pessoais (egóicos) em busca de uma elevação social e espiritual.

No oriente existe o interesse pela perfeição não do eu, mas sim do papel que o eu desempenha. Não tem função fazer aula de ginástica a não ser que seja feita com muita dedicação. É para ser o melhor ginasta, e trazer reconhecimento para seu país.

Se o ego, com suas particularidades individuais, for incitado a se desenvolver ele não se submeterá a abrir mão de suas necessidades em benefício dos papéis sociais.

Muita gente não entende porque os indianos não se rebelam com o sistema de castas por exemplo. Eles não se rebelam porque o que importa é o seu papel na comunidade e não seu direito individual de existir da forma que escolher. Existe um sacríficio do individuo em prol de uma vida ordenada em sociedade.

No japão também é assim. Lembro que quando eu era mais nova assistia alguns shows em vídeo, feitos no Japão e ficava impressionada com os japoneses assistindo o show sentadinhos e contidos… enquanto aqui no Brasil o pessoal extravasa – as vezes até demais. Eu sempre quis assitir um show no Japão! O respeito pelo outro é fantástico.

Como seria bom se pudessemos nos desenvolver individualmente e manter o respeito e o interesse na sociedade.  Na realidade eu acredito que podemos… basta que o ocidental entenda que não precisa ser individualista para crescer – traga um pouco de compaixão ao seu ego – e o oriental perceba que ao desenvolver sua própria potencialidade e seus desejos também vai contribuir para sua sociedade com algo novo. Não suprimam seus desejos, apenas entenda quais devem ser postos em prática e quais não.

Posts relacionados

Compartilhe

Comentários