Bulimia

Jan 22, 2010 by

Ultimamente o tema da bulimia tem sido bastante discutido e esclarecido. Apesar disso, o retrato da doença em nossa sociedade tem apenas aumentado o número de “adeptos”. Chamo de “adeptos” pois muitos desenvolvem o transtorno alimentar propositalmente, como uma ferramenta extra no combate ao excesso de peso. Ou ao que se considera excesso de peso.

A bulimia entra na classe de transtornos alimentares, e está – assim como a vigorexia descrita no post anterior – relacionada a exigência social por um corpo bonito. É importante frisar que não estou condenando o cuidado com o corpo e a aparência, afinal de contas saber se cuidar e ter uma boa aparência são questões fundamentais na auto-estima do ser humano. Mas precisamos saber escolher como alcançaremos nossos ideais. Nesse caso, os fins não justificam os meios e a nossa saúde deveria vir em primeiro lugar.

Então vamos descrever o que caracteriza a bulimia: primeiro, episódios de compulsão alimentar, aonde o indivíduo tem pouco ou nenhum controle daquilo que ingere. É importante levar em consideração que, objetivamente, a pessoa não tenha tido uma ingestão excessiva, mas se subjetivamente entende que teve, e tenta compensar essa ingestão com excesso de exercícios físicos, vômitos intencionais, uso de laxantes e diuréticos é o que basta.

Outra característica é que normalmente o bulímico não é tão magro como as pessoas que tem quadros de anorexia. São pessoas geralmente de peso normal, mas com medo de engordar. Isso geralmente dificulta que familiares ou amigos percebam que determinada pessoa foi acometida pelo transtorno alimentar.

Além dos prejuízos psicológicos, existem também os prejuízos sociais e físicos. É comum que a homeostase corporal (equilibrio das funções vitais) fique comprometida, levando o indivíduo a sofrer desmaios, alteração de pressão, fraqueza, dificuldade em manter a temperatura corporal, etc., além de danos aos dentes e ao trato digestivo, pela constante acidez do vômito.

Na parte social, vemos que os bulímicos tendem a evitar situações que envolvam comida, por medo do descontrole na hora de comer e também pela dificuldade de provocar os vômitos em ambientes que envolvem muita gente. O complicado é que muitas das situações sociais são regadas à comida e bebida. E nisso o bulímico pode começar a se afastar do convivio social… inclusive dentro de casa, não mais fazendo suas refeições com a família e comendo “escondido” para que ninguem se dê conta das orgias alimentares.

O tratamento deve começar trazendo para o indivíduo maior consciência corporal e alimentar, até para que ele possa sentir quando está satisfeito, evitando a compulsão alimentar e a compensação eliciada pelo sentimento de culpa desse comer excessivo. Outra parte importante é o desenvolvimento de comportamentos que sejam incompativeis com o excesso alimentar. A medida que o indivíduo estabelecer outras fontes de prazer que nao sejam atreladas ao comer, baixar sua ansiedade, alimentar sua auto-estima e conscientizar-se do problema a tendência é que ele vá se alimentar adequadamente, sem precisar das compensações que caracterizam o quadro da bulimia.

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