Abandono infantil

Mar 21, 2010 by

Vou reproduzir aqui nesse post parte de uma matéria publicada na Folha Online, no dia de hoje:

Menina é “esquecida” no Pinel por 4 anos

LAURA CAPRIGLIONE

da Folha de S.Paulo
MARLENE BERGAMO
repórter fotográfica da Folha

A menina 23225 –é assim que ela está registrada nos prontuários médicos– foi internada aos 11 anos no Hospital Psiquiátrico Pinel. “Inteligente, agressiva, indisciplinada, sem respeito, fria e calculista”, escreveram dela os que a levaram à instituição-símbolo da doença mental de São Paulo.

Psiquiatras, enfermeiros e psicólogos do Pinel logo viram que o caso de 23225 dispensava internação. Deram-lhe alta. Mas, como a garotinha não tem quem a queira por perto, já são mais de 1.500 dias, ou 4 anos e três meses esquecida dentro da instituição de tipo manicomial.

A menina não é psicótica ou esquizóide; não é do tipo que ouve vozes ou vê o que não existe. Uma médica do hospital resumiu assim o problema: “O mal dela é abandono”.

Em termos técnicos, 23225 foi catalogada no Código Internacional de Doenças como sendo F91, que designa transtorno de conduta –desde agressividade até atitudes desafiantes e de oposição.

Miudinha, cabelos cacheados, 23225 tinha apenas quatro anos quando a avó colocou-a em um abrigo para crianças de famílias desestruturadas. O ciúme, diz a mulher, vai acabar com ela. Era só 23225 ver outra criança recebendo carinho e armava uma cena. Jogava-se no chão, chorava. Virou “difícil”.

BUQUÊ NO CHÃO

Até os sete anos, a menina não conhecia a mãe, que cumpria pena por roubo e tráfico de drogas. A mulher é usuária de crack. Reincidente, enfrenta agora outra temporada de sete anos atrás das grades.

O primeiro encontro das duas foi um desastre. Uma saía da Penitenciária Feminina, a outra a esperava, vestidinho branco, e um buquê de flores para entregar. A mulher xingou a filha e o buquê ficou no chão.

DEITADA NA RUA

“Essa internação contraria toda e qualquer política atual de saúde mental, além de provocar danos irreversíveis, já que [a menina] vivencia cotidianamente a realidade de uma enfermaria psiquiátrica para casos agudos e é privada de viver em sociedade e de frequentar a escola”, relatou o diretor do Pinel, psiquiatra Eduardo Augusto Guidolin, em 8 de março de 2007.

À Folha, a avó da menina, evangélica da igreja Deus é Amor, disse que acaba de conseguir um emprego com carteira assinada –serviços gerais, R$ 480 por mês. “Não vou pôr a perder por causa dela”.

Certa vez, em fuga do Pinel, 23225 deitou-se no meio da rua em que mora a avó –queria morrer atropelada: “Eu tinha acabado de dizer que aqui ela não podia ficar”.

[...]

A MATÉRIA COMPLETA PODE SER LIDA NO ENDEREÇO http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u709886.shtml

Engraçado como os adultos tendem a culpar as crianças pelos comportamentos indesejáveis… é claro que esse caso representa uma situação extrema, aonde o comportamento hostil e ciumento da menina é apenas um reflexo da hostilidade que ela própria sofre. Um reflexo da rejeição daqueles que deveriam ser os últimos a fazerem isso.

Em casos mais cotidianos, a dinâmica de atribuir a responsabilidade do comportamento indesejável toda a criança não é muito diferente. Os pais tendem a pensar que seus filhos têm o problema, e quando vão atrás de ajuda esperam que o profissional “conserte” a criança. Mas não somos também o resultado de nosso meio? Não reagimos aquilo que nos é dado? Você que é pai, que é mãe, o que pode fazer de melhor por seu filho? Exija sim mudanças em seus filhos mas facilitem essa mudança com bons exemplos, amor, limites e atenção!

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