Transferência e contratransferência no processo analítico

Jun 7, 2010 by

Quando teve aqui no blog aquela promoção em que os leitores mandavam sugestões, uma me chamou muito a atenção: transferência e contratransferência. É um tema bastante teórico, e acho que interessa mais aqueles que são profissionais, os estudantes de psicologia e aqueles que já fazem terapia. Para quem nunca se inseriu no contexto terapêutico, esse tema pode ficar um pouco abstrato, mas ainda assim pode ser aplicável a outros tipos de relacionamentos.

Ok, mas o que significa isso? Bem, como o próprio nome sugere, algo é transferido para alguém. Didaticamente, dizemos que a transferência sempre parte do analisando em direção ao analista. E a contratransferência parte do analista em direção ao seu paciente. E o que é transferido nesse caso são conteúdos conscientes e inconscientes (projeções) de um para o outro. Tentando ser mais clara: cada um vai enxergar no outro aquilo que pode, e não necessariamente a pessoa de fato como é. E isso envolve uma gama enorme de sentimentos e conteúdos – tanto pessoais como os do inconsciente coletivo.

Quando nos apaixonamos ocorre algo parecido. Fazemos uma imagem do outro que normalmente não corresponde à realidade. Não é o outro que tem todos aqueles atributos maravilhosos, provavelmente foi você que projetou esse ideal nele. Com o tempo, vamos conhecendo a pessoa e essas projeções vão saindo do jogo. E então ou o relacionamento acaba ou vira amor.

Voltando para a terapia: a transferência e a contratransferência fazem parte de qualquer processo analítico, e são muito úteis quando bem analisadas, caso contrário o processo pode ficar emperrado pois não estamos lidando com a realidade total da pessoa. Dizemos que elas podem ser positivas (quando associadas a sentimentos positivos) e negativas quando impregnadas por uma certa hostilidade (ainda que velada!).

A transferência positiva é muito bem vinda, especialmente nos primeiros tempos da terapia, pois traz uma abertura à essa nova relação! Mas quando as projeções da transferência positiva não são analisadas, o paciente pode ficar por muito tempo dependente do terapeuta. Esse terapeuta pode entrar num lugar irreal – de mãe, pai, xamã, sabe-tudo, todo-poderoso! Sobrando o espaço de filho, doente, sabe-nada e sem poder para o cliente.

A transferência negativa pode ser muito rica em termos de análise, mas aí as dificuldades do terapeuta são maiores, inclusive para não agir contratransferencialmente com seu cliente. Esse cliente dificilmente fica se a transferência for negativa logo no ínicio do tratamento. A coisa não anda! Mas existe também a chance desse tipo de transferência acontecer após um longo tempo de bom convívio, e quando ela acontece, se bem interpretada, é riquissima!!!

Quando a dupla terapêutica está em funcionamento, existem vários tipos de ligações possíveis entre esse par. Abaixo segue um esquema que ilustra isso:

Todas essas ligações transformam cliente e terapeuta. E justamente por saber que minha saúde psíquica interfere na saúde daqueles que trabalham comigo é que respeito tanto a importância de todo psicólogo fazer sua terapia.

Vou encerrando o post por aqui, e quero lembrá-los que foi apenas uma pincelada sobre transferência. E meia pincelada sobre a contratransferência. Por se tratar de um assunto tão vasto, acho melhor especificá-lo em posts separados.

Um grande abraço a todos!!!!!

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