Síndrome de Cotard

Jun 24, 2010 by

Fiquei na dúvida sobre se deveria escrever esse post ou não. Ele não tem muito a ver sobre a idéia do terapia em dia, pois aqui o objetivo é falar sobre coisas aplicáveis e bem comuns do campo da psicologia. Mas resolvi escrever por um motivo muito simples: é interessantíssimo. Nossas possibilidades psicológicas são infinitas!

Provavelmente ninguém que ler esse post tenha a síndrome de Cotard. Eu mesma só atendi uma pessoa com o caso, e foi algo momentâneo dentro de um quadro maior de depressão. Então vamos lá:

A síndrome de Cotard é uma doença em que a pessoa acredita estar morta. Eu mesma não sei dizer se isso é cômico ou trágico. Cômico pelo absurdo da situação, e trágico para quem vive nela.

Os delírios podem incluir a certeza de estar em decomposição, a falta de sangue no corpo, a lembrança da hora e da situação da morte, a falta de órgãos e de partes do corpo, e por aí vai. Menos comum, mas também possível de acontecer é a certeza de que é imortal, por estar a muito tempo vagando pela Terra.

Por acreditar que estão mortos, as pessoas que possuem essa Síndrome podem viver de forma inadequada. Deixam de se alimentar, se higienizar, se relacionar com pessoas, etc..

E se alguém tentar racionalizar e dizer que a pessoa não está morta, não vai funcionar… ela provavelmente dirá que o outro também já morreu, só ainda não sabe.

A síndrome é mais comum em pessoas com histórico de esquizofrenia, transtorno bipolar e também com a Síndrome de Capgras – aonde o indivíduo acredita que pessoas próximas à ele foram substituídas por clones.

Não existe um tratamento estruturado para isso, o que se recomenda é o uso de antidepressivos e psicoterapia.

Lindo, não?!

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Comentários

  1. Ana Luisa

    Gostei muito do tema por você abordado .Trouxe à tona o conhecimento em relação sintomas que as vezes aparecem isolados mas que podem se agravar até o quadro específico de Sindrome de Cotard. Ana, o que você acha das terapias anti-convulsivas para esses casos neuropsiquiátricos? Já tive pacientes que se submetram a elas mas que acabaram perdendo a memória recente.
    Um abraço

    Rose

  2. Oi Rose,

    Tive poucos pacientes que utilizaram anticonvulsivos no lugar de estabilizadores de humor. Se queixavam de uma certa letargia e dificuldade para pensar. Mas eu ainda acho que vale a pena nesses casos mais graves. Não sou contra medicamentos de forma alguma, apenas contra o uso indiscriminado deles. Eu penso que a psiquiatria está muito atrasada em termos de desenvolvimento se compararmos com outras áreas da medicina, porque sabemos que apesar dos benefícios existem muitos efeitos colaterais no uso dos psicotrópicos.
    Beijão para você, quando for à Londrina vou passar noseu consultório para nos conhecermos!

  3. Hiro Miyakawa

    Parabens! muito interessante. Fico impressionado com capacidade do nosso cerebro. No dia dia, imagino o poder da hipnose, se poderia fazer algo do parecido. Seria um poder forte para uma pessoa. No outro lado, tem coisas do tipo Mantra ou PNL que fucional legal com as pessoas. Enfim, distorci um pouco, mas é uma maravilha saber cada vez mais de como nos funciomanos. Abraço

  4. Mônica

    Não conhecia “terapia em dia”. Adorei!!

  5. Adorei este site. Você já escreveu algo sobre o medo da morte? É que eu sei que vou morrer um dia, como todo mundo e, naturalmente, não sei o que vai acontecer comigo – ninguém sabe.

    Lendo esse post eu pensei uma coisa: se existir vida após a morte, será que todos nós não poderemos passar por uma situação parecida com os sintomas desta síndrome ao chegar ao “outro lado”? Interessante isso.

  6. ANDREIA

    adoro o terapia em dia! Me atualiza bastante, gostaria q vc escrevesse algo sobre relacionamento de casais, trabalho com palestras pra casais, e to precisando de mais informações e aprendizagem, obrigada!

  7. Oi André, obrigada!
    Ainda não escrevi nada a respeito do medo da morte, mas com certeza é um tema bem significativo e merece ser abordado.
    Além de um “por que”, o medo da morte tem um “para que”, ou seja, tem uma função em nosso psiquismo.
    Fique atento que logo escreverei sobre isso!

    Um abração!

  8. Olá Andréia!
    Escrever sobre casais está em meus planos!
    Gosto muito de trabalhar com terapia de casais, e certamente tem muito assunto para discutir!
    Você trabalha em qual cidade?

    um bjo!

  9. Poxa, adorei esse post, minha turma d enfermagem , vai fazer um apresentação sobre essa sindrome, e não sabia muuito sobre isso. gostaria que se pudesse vc me dissese um pouco mais sobre essa doença se possivel, mandasse como foi a experi~encia de trabalhar com uma pessoa nesse estado, como a pessoa a age, de uma forma mais profunda, de quem realmente viu como isso acontece. Agradeceria muuito se vc pudesse me ajudar, se tiver alguma iformação passa para o meu e-mail.
    Beijos
    Desde já obrigada.

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