Será que você precisa de terapia?

Jun 26, 2010 by

Como sabemos se precisamos fazer terapia ou não? Às vezes as pessoas a nossa volta nos sugerem, outras vezes a decisão é nossa e parte de uma percepção de que as coisas não vão bem ou que poderiam estar melhores. Mas e aquelas pessoas que sofrem em silêncio, sem saber se devem ou não buscar uma ajuda profissional?

Pensando nisso, o psicólogo americano da Universidade de Harvard Robert Epstein (http://drrobertepstein.com/) desenvolveu um inventário sobre saúde mental, baseado no DSM, capaz de indicar se a pessoa deve procurar ajuda de um profissional de saúde mental – psiquiatra, psicólogo, psicanalista, etc..

Para quem sabe inglês, esse inventário pode ser feito pela internet no http://doyouneedtherapy.com/

Resolvi traduzir as alternativas do teste e colocar aqui no terapiaemdia.com.br

Nos últimos 6 meses tenho me sentido cansado, fatigado, irritadiço, tenso  ou distraído.

Me sinto extremamente temeroso quando exposto a algum objeto ou situação em particular, e quando exposto sinto muito medo ou pânico.

Tenho sentido nos últimos anos sintomas de dor ou mal-estar ou outras disfunções físicas que não puderam ser detectadas por exames médicos.

No último mês minha fala ou meu pensamento tem às vezes sido incoerente ou confuso.

Eu acredito fortemente que minha aparência é defeituosa, e isso faz me sentir nervoso ou ansioso.

Acredito fortemente que estou doente, apesar de meu médico me garantir que sou saudável.

Tenho muito medo de algo ou alguma situação, e esse medo me atrapalha no meu trabalho ou em casa.

Tenho certeza que sou perseguido, mesmo que outros não concordem com isso.

Estou numa relação amorosa que é muito insatisfatória para mim e não consigo sair dela.

Tenho medo de ficar perto de pessoas em certas situações e percebo que esses medos são irracionais ou excessivos.

Estou em um relacionamento que me gera sentimentos dolorosos com frequência.

Tenho dificuldades para controlar meus impulsos para apostas e jogos.

Tenho me arriscado muito por não pensar nas consequências.

Tenho muito medo de situações em que devo interagir com outras pessoas.

Tenho me sentido deprimido na maioria dos dias por pelo menos 2 semanas.

Em algumas situações sociais me sinto muito ansioso.

Não vejo nada de errado em mentir e não me importo muito com a segurança e o bem-estar dos outros.

Com frequência tenho pesadelos sobre experiências ruins que tive no passado.

Recentemente meu nível de energia tem estado estranhamente baixo.

Durante o último ano tive que aumentar meu consumo de álcool ou drogas para ter satisfação ou para lidar com meus problemas.

Acho difícil ou impossível me excitar sexualmente ou atingir o orgasmo.

Por pelo menos duas semanas tenho achado difícil sentir prazer em atividades diárias que costumava gostar.

Tenho pensamentos repetitivos para me acalmar ou para previnir que algo terrível aconteça.

Durante o último ano meu humor mudou mais de uma vez de depressão para euforia.

Me sinto incapaz de ter uma relação íntima com outra pessoa.

Meus hábitos alimentares mudaram muito em pouco tempo.

Com frequência como muito e depois provoco o vômito ou uso laxantes ou outros métodos extremos para evitar o ganho de peso.

Durante o último ano tentei e não consegui diminuir o consumo de álcool, drogas  ou cigarros.

Durante o último ano eu tive que beber mais álcool ou consumir mais drogas para satisfazer minha vontade.

Por pelo menos 6 meses tenho estado muito ansioso e preocupado sobre várias coisas e atividades.

Com frequência tenho lembranças de um evento traumatico que sofri.

Com frequência ajo impulsivamente e isso me causa problemas.

Alguns pensamentos que considero irracionais ou excessivos têm me ocorrido repetidas vezes.

Meu humor varia rapidamente de deprimido à eufórico sem razões aparentes.

Me preocupo muito com meu peso ou minha aparência e por isso como ou me exercito de maneira considerada anormal pelas pessoas.

A pelo menos um mês tenho escutado ou visto coisas que não parecem reais enquanto acordado.

Às vezes sou incapaz de controlar a raiva.

Tenho comportamentos ou pensamentos repetitivos e não consigo evitá-los.

Por pelo menos uma semana quase não tenho precisado dormir.

Tive um episódio de pânico e tenho muito medo de que ele se repita.

Durante o último ano meu humor tem se alterado sem causas aparentes.

Estou em um relacionamento pobre em comunicação ou em que eu e meu parceiro somos incapazes de resolver problemas.

Tive ataques de pânico recentemente com tremores, mal-estar e sudorese e parecia que iria morrer.

Tenho pouco ou nenhum interesse sexual e isso tem atrapalhado meu relacionamento.

Sofro de um medo extremo de algo ou alguma situação, e considero esse medo irracional ou excessivo.

Às vezes revivencio o horror sentido em um evento traumatico que vivi no passado.

Recentemente meus padrões de sono mudaram muito.

Por pelo menos 6 meses tenho sentido um nervosismo ou uma preocupação difícil de controlar.

Não sinto desejo ou não consigo comer o suficiente para manter meu peso corporal saudável.

Por pelo menos 6 meses tenho sentido necessidades sexuais estranhas como por exemplo ter contato sexual com crianças ou objetos inanimados.

Aguns lugares ou situações fazem me sentir numa armadilha ou em perigo, e eu me sinto muito nervoso nesses lugares ou situações.

Por ao menos uma semana tenho me sentido incrivelmente importante – quase como um deus.

No último mês tenho perdido o controle de alguns movimentos de partes do meu corpo.

Por pelo menos duas semanas tenho pensado frequentemente sobre querer morrer.

Qualquer uma dessas alternativas pode ser motivo para se procurar uma ajuda terapêutica, nem que seja para um esclarecimento sobre a intensidade do problema e os possíveis tratamentos.

Abraços e um bom fim de semana para todos!!!!

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Comentários

  1. Ah sim, na realidade é bem posssível que todos já passaram por algum desses sintomas. A questão principal é a duração do sintoma (se persistente merece uma atenção especial) e a intensidade do mesmo.
    Acho que devemos pensar também é que não precisa estar mal para se fazer terapia. Por termos essa cultura de que psicólogo é coisa de maluco é que as pessoas relutam tanto para procurar um.

  2. telma

    Gostei muito de ver esse teste no blog… faço terapia tem dois anos já, e percebi que meus sintomas diminuiram. Ainda assinalei coisas do teste, mas nao tantas quanto eu teria assinalado antes de começar a ir na psicóloga!
    Parabéns ana! Seu blog já tá nos meus favoritos!

  3. Indianara

    Em primeiro lugar, seu blog é bastante interessante! Acredito que a ida à terapia está para além dos sintomas, falando um pouco de psicanálise, está dentro do campo do desejo do sujeito também. Crescimento pessoal, processo de individuação também são um tipo de promoção de saúde; nem sempre no mesmo nível da saúde mais comum e “palpável”, mas num nível mais amplo.

  4. Olá Indianara!

    Com certeza a terapia vai além dos sintomas!!! Não precisa estar mal para fazer terapia, precisa querer crescer, querer chegar cada vez mais próximo de seu eu e do potencial que ele traz.
    Excelente comentário!!!! Obrigada!

    um bjo!

  5. Laura

    Parabéns por esse espaço!
    Penso que para muitas pessoas a terapia passará a ser vista por um ângulo diferente. Problemas todos temos, coragem para enfrentá-los é que as vezes falta!!!
    Um abraço.

  6. Laura, muito obrigada querida!
    Um abraço para você também!

  7. Olá colega,

    Há uma maneira muito simples para os pacientes saberem se precisam de psicoterapia ou não, que é a seguinte:
    - Se o que está a sentir, a pensar ou agir afecta significativamente a sua vida de forma a que já não se sinta capaz de fazer as tarefas da vida diária, sejam, profissionais, pessoas, inter-pessoais, intra-pessoais, etc. Ou seja, o que se está a passar comigo (exº tristeza, falta de energia, pânicos, fobias) está a afectar e tal forma a minha vida e já não me deixa viver tranquilamente como antes.

    Abraços,

    Cristina Camões (psicóloga, Porto, Portugal)

  8. Carina

    afff.. marquei 22 aff… minha medica me encaminhou ao psicoterapeuta.. e tava achando q n era necessario!!

  9. Felipe

    Nos ultimos anos, tenho estado bem desanimado com a minha vida, e por vezes…muito ‘triste’.

    Não tenho tido sucesso na maioria das escolhas que tenho feito durante a minha vida até aqui.
    No campo educacional/profissional não me dei ‘bem’.
    Fiz faculdade mas não concluí nenhuma (ainda faço!), e profissionalmente, pulo de emprego em emprego…justamente por não ter PAZ interior, o relacionamento com pessoas não ser espontâneo, medo de me sentir rejeitado, paranóias com aparência, etc.

    Tenho 36 anos (aparentando menos, pq sou magro e esquálido)
    Namoro a vários anos, e a minha companheira também passa por dificuldades financeiras, desemprego, falta de amor próprio, insatisfação com seu corpo, não se dá bem com a sua mãe, etc.
    Isso contribui e muito para o desanimo de ambos em relação a melhores condições de vida futura.

    Sou muito instável, emocionalmente, tendo alguns dias ‘razoáveis’, onde consigo fingir que está tudo bem, e em outros…simplesmente me tranco num canto (quarto) e fico lá e faço qq coisa que me ajude a passar o tempo.
    Não gosto da minha aparência no geral,… mas isso também varia muito. Há dias em que a tolerância parece ser maior do que em outros dias. No geral, eu tendo a me isolar, e não sou o tipo de pessoa que costuma ficar no centro das atenções, ou procurar estar nos circulos sociais. Ao contrário, não gosto de lugares cheios de gente, tumulto, multidões, etc. Por fora disfarço legal, mas por dentro, fico tenso, nervoso, ansioso, paranóico, etc. Já foi pior. Minha namorada que aguentou algumas crises no passado, e me ajudou e tem me ajudado a meio que enfretnar certas situações em que eu, normalmente, evitaria a todo o custo (shopping centers por exemplo! Adoro as lojas, passear, mas…é complicado. É um lugar onde as pessoas reparam muito na ‘beleza’, no ‘estético’, etc…enfim…).

    Já pensei em procurar algum tipo de ajuda, mas fico receoso de o profissional não conseguir estabelecer um diagnóstico aceitável da minha parte, ou pior, dizer que eu não tenho absolutamente ‘nada’. E isso seria ainda mais terrivel! Até porque eu já não sei o que fazer. Seria como uma sentença perpétua, pois aniquilaria toda e qualquer chance que eu pudesse vir a ter de procurar ajuda novamente. É como se eu só tivesse essa única ‘cartada’.
    :P

    Penso que todo mundo é doente.
    Uns mais…outros menos.
    O conceito de “Saudável” é um mistério que vai além da compreensão humana.

    Valeu

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