Gente como(e) a gente?

Jun 29, 2010 by

Apesar do trocadilho de humor negro, esse post trata de assunto muito sério, terrível e pavoroso: o canibalismo.

Como será que alguém é capaz de comer carne humana? O que está por trás desse desejo tão grotesco?

Impulsos antropofágicos incontroláveis…

Em muitas culturas primitivas a antropofagia era um ritual perfeitamente normal, que não só simbolizava como procurava concretizar o desejo de alguém em adquirir qualidades do outro. É como incorporar o outro em mim. Que bom que as coisas não são mais assim.

Acredito que a sociedade só evoluiu às custas do aprisionamento de vários impulsos que consideramos hediondos.

A antropofagia é uma tentativa de preenchimento e desenvolvimento, para que o outro complete o vazio em mim, ou que me dê aquilo que eu preciso ter. E penso que em muitos casos contemporâneos dessa prática a situação ainda é a mesma.

Com frequência os canibais devoram seu objeto de desejo. Como se pudessem carregar o outro consigo eternamente após introjetá-lo  através do consumo.

Esse impulso antropofágico também tem sua expressão naquelas pessoas que comem partes de seu próprio corpo: unhas, cabelo e até mesmo pele morta. É um desejo de integração, de possuir a si mesmo. Lembro me bem de uma garota que não só roía unhas quanto as comia, e já tinha tentado várias vezes parar com esse hábito. As vezes até conseguia, mas a mudança não se sustentava por muito tempo. Essa garota em um momento de sua terapia começou a sonhar com situações de antropofagia e um dia, durante uma imaginação ativa, esse tema veio a tona e ela pode dialogar com essas partes de si própria que a mantinham nessa situação.  E o parar de roer unhas foi natural. Não havia mais gasto de energia na tentativa de controlar o impulso, porque ele foi para a consciência e perdeu sua potência.

Tirar nossos conteúdos sombrios das trevas é integrá-los ao nosso eu mais evoluído e poder administrá-los. É iluminar-se.

Com isso não quero comparar de forma alguma a prática de roer unhas com a de canibalismo. Apenas pensar que talvez esse impulso grotesco – como muitos outros – se esconde em algum lugar do nosso ser. Quando esse ou outros impulsos negativos são sentidos a primeira coisa que devemos fazer, para crescermos humanamente, é não colocá-los em prática, nem que seja na base do controle consciente. O segundo é trazê-los à luz da consciência para que eles percam a força. E aí, o terceiro passo, que é o mais gostoso de todos, é livrar-se disso. Não mais precisar controlar o pequeno diabo que vive em cada um de nós, pois ele já não mais terá forças.

Abaixo coloquei alguns casos de canibalismo. O texto e as fotos são do portal Terra.

http://www.terra.com.br/noticias/infograficos/criminosos-canibais/index.htm


Nicolas Cocaign – canibal francês

Nicolas Cocaign, conhecido como o “canibal de Rouen”, matou um companheiro de cela e comeu parte de seus pulmões em 2007. Em seu julgamento, ele afirmou que um impulso sexual o levou a matar seu companheiro e a “curiosidade” sobre o gosto da carne humana a praticar o canibalismo. Ele foi condenado a 30 anos de prisão em junho 2010.

Anthony Morley – canibal britânico

O cozinheiro britânico Anthony Morley matou o seu amante após os dois terem relações sexuais em abril de 2008. Morley cortou o corpo de Damian Oldfield em seis peças e as cozinhou com ervas e azeite de oliva. Contudo, ele disse que jogou fora a carne porque ela não estava ao seu gosto. Morley, que venceu o concurso Mr. Gay Reino Unido em 1993, foi condenado à prisão perpétua no mesmo ano.

Stephen Griffiths – o canibal da besta (Reino Unido)

Stephen Griffiths foi preso em maio de 2010 acusado de matar três prostitutas na cidade de Bradford, no norte da Inglaterra. Ele ficou conhecido com o “canibal da besta”, por utilizar a arma (uma espécie de arco-e-flecha) em seus crimes. Em sua primeira aparição no tribunal, ele se apresentou ante ao juiz com o codinome que recebeu da imprensa.

Paul Durant – canibal britânico

O britânico Paul Durant confessou ter matado, esquartejado e comido pedaços do corpo de sua namorada, Karen Durell, em janeiro de 2004 no balneário espanhol de Calpe. Ele foi preso um mês após o crime. De sua cela, ele escreveu cartas dizendo que vozes que emanavam de sua televisão o mandaram cometer o crime. Em novembro de 2007, ele foi condenado a 12 anos de prisão.

José Luis Calva Zepeda – canibal do México

O escritor de histórias de terror mexicano José Luis Calva Zepeda foi preso em outubro 2007 acusado de matar e comer os restos mortais de Alejandra Galeana Garavito. A polícia encontrou o corpo da mulher cozinhando em uma panela no apartamento de Zepeda. O escritor admitiu o assassinato, mas negou o canibalismo, dizendo que deu os restos da amante para o seu cachorro. Ele se enforcou na prisão dois meses após ser preso.

Mohinder Singh e Surender Koli – canibais indianos

O empresário indiano Mohinder Singh e seu empregado Surender Koli foram presos em dezembro de 2006 acusados de assassinar, violentar e tentar comer 19 crianças após a polícia encontrar ossos e restos humanos embalados em sacos de plástico na casa de Singh, na cidade de Noida. Os dois foram condenados à morte em fevereiro de 2009 no julgamento de uma das vítimas, mas Singh foi mais tarde inocentado. Contudo, eles ainda aguardam julgamento de outros casos.

Kevin Ray Underwood – canibal americano

O americano Kevin Ray Underwood foi preso em 2006 acusado de matar, abusar do corpo e planejar comer os restos mortais de uma menina de 10 anos na cidade de Purcell, no Estado do Oklahoma. Após confessar o crime, ele foi condenado à pena de morte em março de 2009.

Andrei Chikatilo – Rússia

O ucraniano Andrei Chikatilo ficou conhecido como o “Açougueiro de Rostov”, na Rússia, pelos assassinatos de mais de 50 mulheres, crianças e adolescentes desde 1978 e até o início dos anos 90. Em 1992, ele foi condenado de matar, molestar, mutilar e comer os restos de algumas de suas vítimas. Chikatilo foi executado em fevereiro de 1994.

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