A maior lição de Antoine de Saint-Exupery

Jul 16, 2010 by

O Pequeno Príncipe é um livro muito conhecido. Quem não leu já ouviu falar. Quem leu, gostou. Quem entendeu, pôde tirar belíssimas lições de vida dessa história tão fantasiosa e simbólica.

Esse semana sonhei que comprava o livro, e entendi que deveria lê-lo. Acho que fazia uns 20 anos que tinha lido O Pequeno Príncipe.

Por alto, devo dizer-lhes que essa história representa os desafios do tornar-se adulto, entregar-se a vida. Deixar o príncipio do prazer e entrar na realidade. Sair do mundo de fantasias infantis e entrar no mundo real. O principezinho morava sozinho em seu mundinho, e um dia acaba vindo para a Terra. Aqui encontra muitos desafios e aprende lições sobre a vida. A melhor delas, em minha opinião, se dá em seu diálogo com a raposa, que o ensina sobre responsabilidade e entrega.

Vejo em minha prática pessoas que se queixam do vazio, da falta de significado, de solidão e do desprazer da vida adulta. Se apegam à fantasia e julgam o mundo e as pessoas sem graça. Não conseguem encontrar fonte de prazer na realidade. Gostaria nesses momentos de ser a raposa, que diz ao principezinho – e também à princezinha – que para ter coisas importantes e significativas na vida real elas devem criar isso. Quando não temos laços (e nao estou falando apenas de laços com outras pessoas, e sim laços com quaisquer aspectos da vida) é porque não nos dedicamos à construção disso. Os laços que criamos nos prendem à vida. Quem está só ou sem sentido na vida não está criando laços suficientes. E para criá-los você precisa se dedicar e se esforçar.

Parece sem sentido se dedicar à algo que não significa nada ainda para você. Seja esse algo uma pessoa, uma profissão, um hobbie, etc…. Mas é justamente esse investimento que dará significado à coisa em si.

Entregue-se. Mexa-se. Viva!

E foi então que apareceu a raposa:
- Bom dia, disse a raposa.
- Bom dia, respondeu polidamente o principezinho que se voltou mas não viu nada.
- Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira…
- Quem és tu? perguntou o principezinho.
Tu és bem bonita.
- Sou uma raposa, disse a raposa.
- Vem brincar comigo, propôs o princípe, estou tão triste…
- Eu não posso brincar contigo, disse a raposa.
Não me cativaram ainda.
- Ah! Desculpa, disse o principezinho.
Após uma reflexão, acrescentou:
- O que quer dizer cativar ?
- Tu não és daqui, disse a raposa. Que procuras?
- Procuro amigos, disse. Que quer dizer cativar?
- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa.
Significa criar laços…
- Criar laços?
- Exatamente, disse a raposa. Tu não és para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos.

E eu não tenho necessidade de ti.
E tu não tens necessidade de mim.

Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás pra mim o único no mundo. E eu serei para ti a única no mundo… Mas a raposa voltou a sua idéia:
- Minha vida é monótona. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei o barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora como música.

E depois, olha! Vês, lá longe, o campo de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelo cor de ouro. E então serás maravilhoso quando me tiverdes cativado. O trigo que é dourado fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento do trigo…
A raposa então calou-se e considerou muito tempo o príncipe:
- Por favor, cativa-me! disse ela.
- Bem quisera, disse o principe, mas eu não tenho tempo. Tenho amigos a descobrir e mundos a conhecer.
- A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não tem tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres uma amiga, cativa-me!
Os homens esqueceram a verdade, disse a raposa.
Mas tu não a deves esquecer.
Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”

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