Psicologia das massas: eleições no Brasil.

Sep 14, 2010 by

“Na massa não se sente nenhuma responsabilidade, mas também nenhum medo.” Carl G. Jung

Dizem que futebol, política e religião não se discute. Minha sorte é que eu discordo dessa afirmação. Acho que se discute sim, afinal tudo aquilo que não é dito e discutido fica envolto numa esfera inconsciente e o preço pago por isso é muito caro. Claro, não estou aqui para dizer votem em Fulano ou em Sicrano… o que estou fazendo aqui é questionar, do ponto de vista da psicologia das massas, algumas questões relacionadas ao processo eleitoral no Brasil.

Sempre que pertencemos a um grupo acabamos agregando aspectos dessa identidade coletiva em nossa identidade pessoal. Digo que sou brasileira e tendo a me comportar como uma. Toda vivência grupal entre pessoas identificadas entre si acaba por proporcionar uma identidade única em um nível inferior de consciência. O indivíduo na multidão torna-se facilmente uma vítima de sua sugestionabilidade, podendo fazer coisas que não faria se estivesse sozinho. Podemos citar alguns exemplos (positivos e negativos) disso para ilustrar essa afirmação: brigas, destruição e assassinatos em jogos de futebol, guerras, linchamentos, êxtase religioso coletivo, euforia em shows, atuação sexual exacerbada em micaretas, por aí vai. Já falei um pouco sobre essa dinâmica em um post chamado “Um eclipse coletivo da consciência” onde alunos de uma universidade se juntaram para humilhar publicamente uma moça com um vestido curto.

Na massa predomina uma identidade inconsciente. E é comum observarmos no processo eleitoral que quem tem a maioria das intenções de votos nas pesquisas que precedem a eleição acaba por ganhar ainda mais adeptos. Tendemos a achar que se a maioria vai para um lado, essa maioria deve estar certa e nós simplesmente seguimos o fluxo, sem pensar na responsabilidade do voto. Um voto na maioria fica diluido e sou imediatamente isenta da responsabilidade de ter escolhido esse ou aquele governante. As pesquisas prévias mudam muito os rumos de uma eleição e penso que deveriam ser proíbidas por seu aspecto manipulador de votos. O homem tem um lado “ovelha” que precisa se diferenciar de sua individualidade caso queira crescer em sua consciência.

Quanto mais consciente de si mesmo o indivíduo é, menos afetado por essa identidade coletiva inconsciente ele será. Quero deixar BEM claro novamente que esse artigo não expressa minha opinião a respeito de candidatos, apenas expõe uma das dinâmicas psíquicas do processo eleitoral.

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Comentários

  1. Ana

    Concordo.
    Quanto mais próximo alguém está perto de suas convicções, mais inteligentes elas são.
    Quanto mais distante, mais colado está no que o outro espera que ele queira.

  2. Renata Bertolucci

    Gosto muito do seu blog. Acompanho-o, mas é a primeira vez que comento.
    Ótimo texto.
    Abraço afetuoso e continue firme com o blog!!!

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